30 de jul de 2012

Livros que vão dar o que falar na 22° Bienal do Livro de São Paulo | Parte 1

Finalmente! Se você acompanha sites e blogs literários ou está ligado nas programações nacionais relacionadas a literatura já sabe que a 22° Bienal do Livro de São Paulo está chegando! De 9 a 19 de agosto o Brasil estará reunido no Anhembi respirando literatura. 

Escritores, leitores, blogueiros, professores, entre outros profissionais da área e o público em geral estarão por lá compartilhando experiencias, apresentando novos projetos, descobrindo novidades e fazendo novas amizades. É realmente uma grande festa, e eu, Israel, estarei presente cobrindo o evento nos dias 10 e 11, para o blog.

E pra entrar nesse clima de festa, selecionei aqui alguns livros que com certeza vão dar o que falar durante todo o evento. É claro que muitos serão debatidos e comentados (a Bienal é eclética, hey!), mas esses que selecionei tem mais a ver com o estilo de leitura que o blog aborda e são os queridinhos dos jovens no momento:


1. A Culpa é das Estrelas, de John Green
Sensível, emocionante, sucesso. Esses são alguns dos adjetivos citados de quem já leu o mais recente livro de John Green a ser publicado no Brasil. Sucesso nas redes sociais, o livro  se destaca também pelos fãs, conhecidos como nerdfighters e estarão reunidos para um bate-papo sobre o livro dia 12, no estante da Intrínseca.

2. Cruzando o Caminho do Sol, de Corban Addison
Com um tema delicado e importante de ser abordado - o livro fala sobre o tráfico de humanos e a escravização moderna - Corban traz uma história emocionante e surpreendente. O escritor americano virá ao Brasil e estará no estande da Novo Conceito dia 11 para uma sessão de autógrafos e um bate-papo bacana; e eu estarei lá!

3. Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James
 A obra de E. L. James é lançamento da Intrínseca para esse mês e já está dando o que falar, rendendo até capa da revista Época. Considerado um pornô para mulheres, a trilogia "50 Tons" começou como uma fanfic de Crepúsculo e hoje é um dos maiores lançamentos do ano. Debate é o que não vai faltar entre os leitores e visitantes.

Então já sabe: pra você que vai pra Bienal, fique de olho nas redes sociais, Twitter e Facebook do blog, confira esses lançamentos e aguarde os próximos posts trazendo mais livros que vão dar o que falar e entre nessa festa!

29 de jul de 2012

Resenha | A Filha da Minha Mãe e Eu

Sejam em filmes, livros, séries de tv, palestras, entre outros meios: as relações familiares são sempre, de certa forma, complexos demais em suas abordagens. Muitos tentam solucionar os problemas ao invés de debatê-los e acabam indo a lugar nenhum. Muitos se iludem com fórmulas vendidas para melhora das relações, entre outras "mágicas", mas vez ou outra os problemas estão lá, sem serem debatidos, refletidos, analisados - o caos impera, disfarçadamente e a bola de neve só tende a aumentar. Em A Filha da Minha Mãe e Eu, livro de estreia da escritora e roteirista Maria Fernanda Guerreiro, vemos a relação "mãe e filha" sendo abordada de um modo íntimo, simples, e o melhor, genuíno.

Mariana já é mulher feita e descobre estar grávida. De repente visualiza-se mãe de alguém. Mas não, antes disso é necessário que ela reflita sua condição de filha antes de se tornar mãe. Ao longo dessa autodescoberta ela relembra fatos da sua infância até a idade adulta, especialmente sua relação extremamente conturbada com sua mãe, Helena. Ela precisa voltar ao passado e entender os erros e acertos de sua mãe, o porquê de certas atitudes e escolhas, analisar o tão famoso amor incondicional de mãe. Tudo isso com a companhia de seu irmão mais velho, seu pai amoroso e os desafios do crescimento e com ele todos os obstáculos e inseguranças.

Logo de início o livro me surpreendeu bastante, mesmo já sentindo o tom da história pela premissa. A escrita da autora é clara, simples e ao mesmo tempo emocionante em vários momentos e bem detalhada. 
Creio também que a veia roteirística de Guerreiro pulsou forte durante o desenvolvimento da obra. Mesmo com alguns vícios, principalmente nos diálogos não tão críveis pra mim, o livro cumpre o seu papel de apresentar situações complicadas e suas várias possibilidades de desfecho. Guerreiro soube dosar com maestria as diversas situações da infância, adolescência e idade adulta de modo que sentimos evoluir com os personagens e sofrer, nos alegrar, nos emocionar com e como eles. 

Pra quem acha que o livro apenas trata da relação mãe e filha e nada mais, estão enganados. O livro é extremamente recomendado para todos, de todas as idades e sexos. A família brasileira está lá, exposta, e é fácil para nós nos identificarmos com diversas situações que são apresentadas. Creio que em vários momentos, agora extremamente pessoalmente falando, me identifiquei com não só com um, mas vários personagens em diversos momentos do livro. Isso é raro hoje em dia, e merece crédito. Ao final senti uma pontinha de sentimento amargo, como se o final pudesse ser diferente ou mais surpreendente, mas como é verdade, a leitura já foi uma surpresa para mim e, assim como a nossa vida e a vida de Mariana, nem tudo é perfeito. Em resumo, o livro é impactante em vários pontos, muito parecido com um filme ou atos de uma peça e vale a pena ler. Assim como Mariana, é interessante refletir  de um modo mais simples a família e suas relações, e ao final seguir em frente.

27 de jul de 2012

Resenha | Ladrão de Olhos

Ao longo da vida nos deparamos com livros dos mais diferentes tipos. Tem aqueles mais simples, porém muito emocionantes; tem também aqueles mais adultos e politizados, com um  tema sério e crítico, entre outros. Passei por muitos estilos e ao longo dessa jornada sempre me surpreendo com aqueles contos mais voltados para crianças e pré-adolescentes. É fascinante ler um mundo de animais falantes, mágico, com castelos, reis e rainhas.

Apesar de clichê para muitos (não para mim), quando bem usado é de muito bom gosto. É o caso de Ladrão de Olhos: As Aventuras de Peter Nimble, livro de estreia do autor Jonathan Auxier. O autor resgata em sua obra aquela atmosfera que normalmente encontramos como por exemplo na obra As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, porém com uma escrita mais moderna e rápida, apesar das mais de 400 páginas. Até o estilo das ilustrações antes dos capítulos lembram a obra, mas apenas como inspiração, visto que a história é completamente diferente e com outros propósitos; mas foi muito bom sentir aquela sensação de viagem em um livro desse estilo.

Em inglês a obra ganha um título diferente: Peter Nimble and his Fantastic Eyes. O título em inglês soa mais interessante e combina mais com a obra, então não se engane muito com o título em português. O livro ganhou merecidas quatro estrelas devido a me surpreender bastante. Ele começa com Peter, um órfão cego e sofredor que vaga pelas ruas de sua cidade portuária roubando em busca de sobrevivência. Porém, ao se deparar com um estranho viajante pela cidade, encontra uma oportunidade de mudar de vida e partir em uma jornada que transformará completamente seu futuro. No mais não há de se contar muito pois as reviravoltas são tão empolgantes que qualquer detalhe a mais pode estragar, então tratem de ler.

O livro vai crescendo a cada capítulo e tomando formas diferentes do início da leitura. O bacana foi encontrar durante todas as aventuras pra lá de perigosas e emocionantes de Peter  
temas interessantes tanto para crianças quanto para adultos: valores são ensinados, novamente lembrando a obra de C.S. Lewis, e todos se encaixam perfeitamente na obra. Os personagens também são bem desenvolvidos, divertidos para uma história escrita para um público-alvo tão exigente. O bacana do livro é que ele diverte qualquer idade, apesar de ser focado para as crianças e pré-adolescentes. Além dos "olhos", a história de Peter Nimble também é fantástica!

9 de jul de 2012

Resenha | Branca de Neve e o Caçador

Os contos de fadas definitivamente voltaram com tudo! É impressionante como essas histórias que todos nós aprendemos na escola em livros infantis e sabemos de cor estão cada vez mais presentes no mundo pop atual. Seja em filmes, séries, musicais, e até em desfiles de moda: o "era uma vez" e o"felizes para sempre" continuam a fascinar a todos que tem contato. Não seria diferente com os livros, de onde todo esse mundo saiu e hoje estão ganhando adaptações, novas versões e cada vez mais ganhando tonalidades mais adultas, ou sombrias como muitos dizem. O clássico conto da Branca de Neve dessa vez tira os "anões" do título e coloca um "Caçador", dando um tom mais crescido a história, com adaptações um tanto interessantes.

Confesso que temia um pouco antes de ler Branca de Neve e o Caçador. Não pela história ter sido alterada, de modo algum - como já disse antes em resenhas anteriores, o novo me fascina - mas sim o fato do livro ter sido baseado em um roteiro de cinema adaptado para se tornar obra literária e a quantidade de autores incluídos no projeto - ao todo são quatro. Confesso que a obra me surpreendeu positivamente. O livro flui com uma naturalidade, uma leitura rápida e com grande fluidez, me fez apostar mais nesse tipo de leitura. Mal sentia o tempo passar ao ler. A jornada de Branca de Neve rumo à grande batalha contra a rainha Ravenna me empolgou e foi bem divertida.

Os capítulos curtos e a velocidade com que a história era contada me deixou um tanto dividido. Por um lado é bacana ler tudo tão rápido e ver que uma história com conteúdo está sendo contada, porém essa velocidade acaba atrapalhando o lado da emoção e afeição com os personagens. Foi difícil entender o drama de Branca de Neve que, apesar de ser clichê - no caso, vingança contra Ravenna, a rainha-bruxa - não estabeleceu um elo com o leitor. Boa parte é um tanto superficial em se tratando dos personagens. Vemos os autores tentando estabelecer elos, contar histórias paralelas, mas é complicado de se aceitar.

As diferenças do conto clássico para a nova adaptação foram extremamente positivas, não posso negar. O livro ganha um tom mais aventureiro, mais medieval e isso é empolgante em vários momentos. A ação também está muito presente que, mesmo com poucas descrições e, mais uma vez, a velocidade de escrita atrapalhando um pouco, não deixa a desejar. Toda a magia e seres fantásticos são incluídos, tornando todo o cenário do livro mais rico e ilustrativo. Pensei seriamente em presenteá-lo para todos os meus primos e primas mais jovens.

Esse livro me convenceu de que roteiros de cinema podem sim garantir um bom livro. Branca de Neve e o Caçador me surpreendeu pelo seu conteúdo e mitologia, pelas descrições bem colocadas e que novidades em uma obra clássica podem ser sim de bom gosto; porém seu problema seria mesmo os velhos clichês de Hollywood. Mas, cá entre nós, quem não gosta de um clichê bem contado, não é verdade?