1 de nov de 2011

[Resenha] Eu Sei o que Você Está Pensando


Sempre fui fascinado por livros policiais, desde o meu início na vida de leitor. Como é incrível analisar cada pista, cada detalhe, fazer ligações entre os personagens e descobrir quem é o assassino através de cada pista apresentada no texto. Lá estamos nós tentando superar o mistério e ao mesmo tempo aquele que desde o princípio já sabe quem é o vilão, o autor. Quando descobrimos antes, o final é sempre entediante. Mas quando a surpresa é das boas, se segura que a empolgação aumenta! Na obra de estréia de John Verdon isso acontece; pena que atrasado demais.

Conhecemos então o famoso detetive recentemente aposentado David Gunrey, que acabara de se mudar com sua esposa para o interior de New York superar dramas pessoais, se reaproximar da esposa e se adaptar melhor a vida de ex-detetive. Porém, ao ser contatado por Mark Mellery, um antigo colega de faculdade, para solucionar um enigma intrigante: “Pense em um número de um a mil... agora veja como conheço seus segredos” – diz o criminoso em seus bilhetes; Gunrey embarca em uma nova investigação daquelas que somente ele poderia resolver. Um caso de psicopata, extremamente frio e perfeito em seus atos criminosos. Daí vem o dilema: seguir na investigação ou recuperar sua família.

Basicamente, é um típico livro "policial atrás de criminoso", que estamos acostumados (bem, pra quem curte romances policiais!), porém com uma pitada de ousadia. Ousadia, digo, da parte criativa da história. Verdon é muito feliz em nos dar pistas antes de tudo "sem sentido", características psicológicas dos personagens e até pensamentos do próprio assassino - coisa que é rara em obras do tipo. Mas, ao longo da trama tudo se complica mais e mais, nos fazendo cansar e até desistir da leitura em alguns momentos. Idéias sem nenhum nexo nos são apresentadas, e a vontade é de esquecer tudo e passar as folhas para saber logo quem é o tal psicopata. O autor também preza por detalhar muitas coisas totalmente desnecessárias para o desenvolvimento da história - creio que com a intenção de deixar o clima mais leve em alguns trechos, mas sem sucesso.

Mas aí vem o momento em que tudo se encaixa. Todas as peças apresentadas, as idéias expostas são retomadas, os enigmas solucionados... Tudo se une e toma forma no final nos dando a sensação de que tudo valeu a pena; porém ao longo disso já se passaram 300 e pesadas páginas, sendo um final um tanto rápido; sem perdoar o leitor que sofreu (e se enteditou) tanto. Perguntamos-nos ao final onde estão os quase trinta personagens que aparecem durante a leitura, depois do mistério ser resolvido e ficamos sem resposta.

Mas, creio que o autor ouviu minhas preces, e ignorou tudo que estava sendo desenvolvido, nos dando um final e pronto. “Levante-se da poltrona e volte para casa. O filme é só isso”. No mais, Eu sei o que você está pensando é inteligente, um tanto clichê em escrita, mas digerível. Daqueles livros que empolgam somente ao final e é de certa forma interessante acompanhar, seja por curiosidade ou por puro hábito.