23 de abr de 2012

Resenha | Garota Replay

O sonho de todo autor literário é ter uma grande ideia para desenvolver um livro. Quem sabe até uma saga, como aconteceu com J.K. Rowling e vocês-sabem-quem. Deve ser mágico o momento da concepção de uma história, seu desenvolvimento e desfecho, para no final observar a obra completa e ter orgulho das horas a fio de tanto trabalho frente ao computador, pensando, analisando, reescrevendo... Senti que a autora Tammy Luciano teve uma ideia bacana com a sua Garota Replay, criou uma história atual, curiosa, porém o desenvolvimento deixou a desejar em muitos momentos.

Conhecemos Thizi e logo no início da leitura vemos que sua vida está um tanto agitada. Seu atual namorado é um mulherengo nato (pra não chamar de outra coisa), seu melhor amigo tenta abrir seus olhos pegando o cara no flagra numa boate carioca e, pra piorar tudo, seus pais estão sempre ausentes, em viagens ao redor do mundo. Louco, não? Opa, esqueci que agora ela anda vendo pelas ruas uma cópia sua (a replay do título) e não está lidando muito bem com outra (e melhorada) versão de Thizi andando pelo Rio de Janeiro. 

A trama pode soar boba ao princípio, porém a autora aprofunda a história e eu achei isso bem bacana. Não posso contar muito porque posso revelar algum spoiler indevido, mas ao ler já tinha adivinhado que "isso (a grande sacada do livro)" iria acontecer. Pra mim foi previsível, mas para você caro leitor e leitora, pode ser uma grande revelação, então não vou estragar nada, ok? Ao ver a personagem em conflito lidando com todas essas questões que, para nós, podem ser simples, corrigidas um uma boa festa, quem sabe, vi que Thizi foi bem humaizada e vê-se claramente um depoimento indireto da própia autora (Tammy, por favor, quero saber se tem um pouco de você na Thizi!).

Bem, senti também que o livro quer nos passar uma mensagem meio que de auto-ajuda. É, eu não gosto muito do estilo literário e mal leio (ok, passo longe mesmo) mas o modo como Tammy colocou foi simples, apesar de brusco em vários momentos, como se parasse a história e estivéssemos lendo Augusto Cury. Sendo um livro voltado para o público jovem (público esse que, aos meus 18 anos, não me sinto mais incluído) achei que Tammy fez um trabalho regular, sem muitas surpresas, mas não sofrível ou ruim de ler; só não foi aquilo que eu esperava. Tammy tem a essência da boa escrita, dá pra sentir principalmente nas ultimas páginas e em cenas mais divertidas e românticas (a cena de Thizi no quarto deitada de mãos dadas com **** é linda!), mas acho que falou aquele elemento "X" do sucesso e do "ótimo livro". Vou ficar de olho na autora, potencial não falta.