21 de ago de 2011

[Resenha] A Morte e Vida de Charlie


O tema do espiritismo é muito abordado em várias obras já conhecidas pelas massas. O escritor brasileiro Chico Xavier é a prova de que o tema fez e ainda faz sucesso, com milhões de livros vendidos e três adaptações para o cinema de sua vida ou obra. Deixando a religião de lado e partindo para a curiosidade geral, a vida após a morte é um dos grandes mistérios do homem – já que quem enfrentou a morte não tem como contar o que acontece e se é que acontece algo (pelo menos, cientificamente falando) – e a curiosidade só tende a crescer na medida em que temos conhecimento de livros e mais livros abordando esse tema. Ben Sherwood, jornalista americano formado em Harvard e Oxford expôs em seu livro ‘Morte e Vida de Charlie St. Cloud’ a sua visão de vida e morte, de forma simples e inteligente; porém sem grandes novidades.

Charlie St. Cloud e seu irmão caçula Sam são inseparáveis. Fazem tudo juntos, são companheiros, e principalmente sonhadores. Prezam o valor dos pequenos momentos juntos, treinam beisebol e se entendem - à maneira deles. Em um acidente trágico de carro, Charlie se vê sozinho já que seu irmão falecera. Porém algo mágico acontece: enquanto estava desacordado por conta do acidente, Charlie interage com Sam em um plano entre a vida e a morte, e promete nunca abandonar o irmão. Voltando a vida, ele passa a ter o ‘dom’ de ver as almas daqueles que ainda não fizeram a travessia para o plano superior – incluindo Sam. Atormentado pela culpa, Charlie se vê em dívida com o irmão e por 13 anos passa a visitá-lo e treinar o beisebol, sempre ao pôr-do-sol numa clareira do cemitério onde ele trabalha e Sam está enterrado. Só que Charlie conhece uma garota, a velejadora Tess Carroll, fazendo Charlie repensar toda a sua vida e descobrir o seu real sentido.

Creio que o livro tinha todas as ferramentas para ser um excelente livro, digno de cinco estrelas. A história é interessante, bem elaborada e curiosa. Porém, a leitura não é a das mais agradáveis. Ben peca ao se prender em detalhes dos mais variados e sem nenhum acréscimo a trama. Diferente de Nicholas Sparks, que relata aspectos físicos e psicológicos com maestria enriquecendo a obra, Ben não soube focar num estilo e seguir. Trabalha no piloto-automático, com algumas frases de efeito que chamam a atenção; e nada mais. Outro fato que me incomodou foi o final. Achei clichê, mas não um clichê bacana (tem uns que até são legais), e sim um clichê meramente previsível – estou falando da relação de Charlie e Tess. Tirando esse lado negativo que reduziu a nota final da minha avaliação, o ponto positivo ficou a cargo da relação de Charlie e Sam que eu achei fantástica. Bem escritas, as cenas e os diálogos são memoráveis e a lição de vida deixada impressa é comovente. Outro aspecto positivo é o clímax da obra (quando você ler vai saber), que foi a única coisa que me surpreendeu de verdade. Em se tratando de diagramação, a Novo Conceito corrigiu o que me incomodou um pouco em outras publicações que são os diálogos. Nesse livro, eles estão todos bem arrumados e corrigidos, impecáveis. A leitura em 3° pessoa flui naturalmente, por mais que incomode em alguns momentos – parece que o autor nos que enrolar um pouco para chegar a um determinado objetivo, o que me cansa – é de simples entendimento e fácil de absorver.

Como muitos também sabem, o livro ganhou uma adaptação para os cinemas. Estrelado por Zac Efron, ‘A Morte e Vida de Charlie’ é bem fiel ao livro e isso me agradou muito, por mais que muitas cenas tenham sido criadas pelos roteiristas para melhor facilidade em contar a história (como por exemplo, a cena de Charlie recebendo a notícia clímax da história na cafeteria é bem diferente, mas facilita muito o entendimento dos que não leram o livro). O elenco ficou bacana, com Ray Liotta como Fiorio Ferrente, o bombeiro que salva Charlie da morte e o próprio Zac Efron que me surpreendeu nas cenas mais dramáticas. Já a escolha de Amanda Crew para interpretar Tess Carroll eu considerei equivocada. Faz o básico, sem novidades ou profundidade na história e a química com Efron é zero. Relevando, o filme tem cenas lindas, muito fiéis ao livro e a fotografia é belíssima, chamando muito a atenção. De fato, se quiser acompanhar um romance mais profundo e rico, não é uma boa pedida. Se quiser conhecer o mundo gótico-romântico de Charlie e se interessa pelo tema, recomendo.