12 de jan de 2012

Resenha | Numbers: Tempo de fuga

Basicamente, o que eu espero de um livro é que tenha um começo empolgante, um desenvolvimento agradável e uma conclusão bem definida ou promissora. Difícil é encontrar livros de série que acerte em todos esses pontos a cada volume. Numbers: tempo de fuga, a primeira parte de uma trilogia (até o momento), acerta apenas no início; já o resto não passa de simples enrolação para ver se o livro rende as 350 páginas.

O livro narra a história de Jem, uma garota de 15 anos que viu a morte de perto desde que sua mãe morreu de maneira trágica. O que ela não entendia era os números que ela via sempre que olhava nos olhos de alguém, e que mais tarde descobriu se tratar de uma data... uma data de morte. Atormentada com esse dom (ou maldição), a garota conhece Spider, um garoto rebelde e malcheiroso, com cara de problemas. Logo tornam-se amigos e curtem Londres como Jem nunca havia curtido. Só que um acontecimento na London Eye os faz fugitivos, procurados por todos. Todos viram inimigos e eles só tem um ao outro.

Eu queria muito (muito mesmo) ter gostado desse livro. O enredo prometia bastante, de um modo diferente e cool. A capa é belíssima e sua diagramação é bacana (parabéns à editora iD que manteve tudo original como a edição internacional) e a leitura é agradável, flui rapidamente e de fácil entendimento. Rachel Ward fez seu trabalho direitinho, escreve bem e tem potencial. Porém senti que ela também percebeu esse potencial na história e tentou fazer de Numbers o seu "Harry Potter", digamos assim. O que podeira render um livro incrível, de somente um volume, acabou arrastado e com passagens totalmente desnecessárias. A minha procura por momentos importantes foi frustrante e a cada folheada eu me perguntava: por que eu ainda estou lendo? É claro que há uma expectativa por que vai acontecer no final, porém ela acaba enfraquecendo à medida que os personagens, totalmente sem carisma, apenas correm sem rumo.

O bacana mesmo do livro fica somente para o "poder" de Jem em ver a data da morte das pessoas. Apesar de mal abordado, o tema "como lidar com a morte" é um dos grandes trunfos do livro, nos fazendo refletir o quão efêmera a vida é e que a cada segundo estamos morrendo; porém estamos vivos então vamos agradecer por isso. É raro encontrar temas como esse abordados em livros young-adult e tive uma pequena esperança para a continuação. Vou torcer para que a autora dê mais sentido aos volumes e os torne independentes, deixando ou pouco de lado a ganância de vender mais livros, certo? No fim de toda essa choradeira da minha parte, Numbers engana direitinho, vende seu peixe mal, porém nos diverte em alguns momentos. E sua continuação promete. Espero não estar enganado novamente.


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