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20 de out. de 2012

Resenha | A Culpa É Das Estrelas


A página em branco, muitos pensamentos e poucas palavras capazes de expressar o que foi ler esse livro. Prometo que tentarei, estou movendo meus dedos pelo teclado sem parar e as ideias continuam a aparecer, porém desorganizadas, com gosto de sal pelas lágrimas derramadas e empolgantes, com aquele sentimento de sair correndo pelo mundo com vários exemplares do livro e ir distribuindo à todos que encontrar na rua (não sei se você já se sentiu assim, mas é o que sinto agora). Eu já suspeitava que iria gostar do livro, visto as boas críticas de gente que admiro na blogosfera, mas não DESSE jeito. 

Simplesmente, estou chocado comigo mesmo pelo modo de como amei cada palavra, cada ponto dessa emocionante, inteligente e pura obra. Já me tornei fã desde o primeiro capítulo e John Green está na minha lista de autores preferidos. Eu sei. Eu sei. Sei que você já leu esse grande alarde em outro blog literário, afinal A Culpa É Das Estrelas é um sucesso entre os leitores e blogueiros, mas confesso que estava doido para me expressar também. Você precisa, PRECISA ler esse livro. Estou escrevendo a resenha ainda, e as palavras ainda continuam confusas, afinal a diversidade de emoções continua intensa. Ok, Israel, você consegue. Falando da escrita de Green, pela primeira vez li um autor com uma escrita moderna, inovadora e ao mesmo tempo clássica. Green realmente tem o dom de cativar o leitor a cada frase escrita, a cada ideia transmitida, a cada descrição planejada. E tudo parece tão natural! Deus, como ele tem talento!

A história de Hazel e Augustus. Ok, vamos lá. Green soube abordar com maestria o tema "câncer" (muito difícil de se trabalhar, por sinal - muitos tem a tendência a exagerar ou a estereotipar os casos) e revelou-se ser um autor otimista, mas ao mesmo tempo realista. Muitos diriam que sem o câncer, o livro seria um romance perfeito, porém eu discordo, e muito! Como aprendi com o livro, o mundo não é um lugar onde realizamos os nossos desejos, apenas aprendemos a viver com eles e absorver experiencias (e claro, tirar uma lição delas); portanto creio que o tema do câncer e da morte é extremamente importante de ser debatido. Hazel é crítica e racional. Augustus, é crítico e emocional. A combinação dos dois rende um dos livros mais incríveis e emocionantes que eu já li, sem exageros (mas já sendo exagerado).

Ok, você já deve ter entendido que o livro é excelente. Mas preciso falar que se você não gosta do tema (câncer/morte); pare, pense e lembre-se que o livro não se trata apenas disso. O livro é uma celebração da vida. Dos pequenos e grandes infinitos. Do tempo e do descobrimento. Dê uma chance ao livro e não se arrependa. Você ainda vai ouvir muitos amigos seus recomendando esse já clássico moderno.

29 de jul. de 2012

Resenha | A Filha da Minha Mãe e Eu

Sejam em filmes, livros, séries de tv, palestras, entre outros meios: as relações familiares são sempre, de certa forma, complexos demais em suas abordagens. Muitos tentam solucionar os problemas ao invés de debatê-los e acabam indo a lugar nenhum. Muitos se iludem com fórmulas vendidas para melhora das relações, entre outras "mágicas", mas vez ou outra os problemas estão lá, sem serem debatidos, refletidos, analisados - o caos impera, disfarçadamente e a bola de neve só tende a aumentar. Em A Filha da Minha Mãe e Eu, livro de estreia da escritora e roteirista Maria Fernanda Guerreiro, vemos a relação "mãe e filha" sendo abordada de um modo íntimo, simples, e o melhor, genuíno.

Mariana já é mulher feita e descobre estar grávida. De repente visualiza-se mãe de alguém. Mas não, antes disso é necessário que ela reflita sua condição de filha antes de se tornar mãe. Ao longo dessa autodescoberta ela relembra fatos da sua infância até a idade adulta, especialmente sua relação extremamente conturbada com sua mãe, Helena. Ela precisa voltar ao passado e entender os erros e acertos de sua mãe, o porquê de certas atitudes e escolhas, analisar o tão famoso amor incondicional de mãe. Tudo isso com a companhia de seu irmão mais velho, seu pai amoroso e os desafios do crescimento e com ele todos os obstáculos e inseguranças.

Logo de início o livro me surpreendeu bastante, mesmo já sentindo o tom da história pela premissa. A escrita da autora é clara, simples e ao mesmo tempo emocionante em vários momentos e bem detalhada. 
Creio também que a veia roteirística de Guerreiro pulsou forte durante o desenvolvimento da obra. Mesmo com alguns vícios, principalmente nos diálogos não tão críveis pra mim, o livro cumpre o seu papel de apresentar situações complicadas e suas várias possibilidades de desfecho. Guerreiro soube dosar com maestria as diversas situações da infância, adolescência e idade adulta de modo que sentimos evoluir com os personagens e sofrer, nos alegrar, nos emocionar com e como eles. 

Pra quem acha que o livro apenas trata da relação mãe e filha e nada mais, estão enganados. O livro é extremamente recomendado para todos, de todas as idades e sexos. A família brasileira está lá, exposta, e é fácil para nós nos identificarmos com diversas situações que são apresentadas. Creio que em vários momentos, agora extremamente pessoalmente falando, me identifiquei com não só com um, mas vários personagens em diversos momentos do livro. Isso é raro hoje em dia, e merece crédito. Ao final senti uma pontinha de sentimento amargo, como se o final pudesse ser diferente ou mais surpreendente, mas como é verdade, a leitura já foi uma surpresa para mim e, assim como a nossa vida e a vida de Mariana, nem tudo é perfeito. Em resumo, o livro é impactante em vários pontos, muito parecido com um filme ou atos de uma peça e vale a pena ler. Assim como Mariana, é interessante refletir  de um modo mais simples a família e suas relações, e ao final seguir em frente.

27 de jul. de 2012

Resenha | Ladrão de Olhos

Ao longo da vida nos deparamos com livros dos mais diferentes tipos. Tem aqueles mais simples, porém muito emocionantes; tem também aqueles mais adultos e politizados, com um  tema sério e crítico, entre outros. Passei por muitos estilos e ao longo dessa jornada sempre me surpreendo com aqueles contos mais voltados para crianças e pré-adolescentes. É fascinante ler um mundo de animais falantes, mágico, com castelos, reis e rainhas.

Apesar de clichê para muitos (não para mim), quando bem usado é de muito bom gosto. É o caso de Ladrão de Olhos: As Aventuras de Peter Nimble, livro de estreia do autor Jonathan Auxier. O autor resgata em sua obra aquela atmosfera que normalmente encontramos como por exemplo na obra As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, porém com uma escrita mais moderna e rápida, apesar das mais de 400 páginas. Até o estilo das ilustrações antes dos capítulos lembram a obra, mas apenas como inspiração, visto que a história é completamente diferente e com outros propósitos; mas foi muito bom sentir aquela sensação de viagem em um livro desse estilo.

Em inglês a obra ganha um título diferente: Peter Nimble and his Fantastic Eyes. O título em inglês soa mais interessante e combina mais com a obra, então não se engane muito com o título em português. O livro ganhou merecidas quatro estrelas devido a me surpreender bastante. Ele começa com Peter, um órfão cego e sofredor que vaga pelas ruas de sua cidade portuária roubando em busca de sobrevivência. Porém, ao se deparar com um estranho viajante pela cidade, encontra uma oportunidade de mudar de vida e partir em uma jornada que transformará completamente seu futuro. No mais não há de se contar muito pois as reviravoltas são tão empolgantes que qualquer detalhe a mais pode estragar, então tratem de ler.

O livro vai crescendo a cada capítulo e tomando formas diferentes do início da leitura. O bacana foi encontrar durante todas as aventuras pra lá de perigosas e emocionantes de Peter  
temas interessantes tanto para crianças quanto para adultos: valores são ensinados, novamente lembrando a obra de C.S. Lewis, e todos se encaixam perfeitamente na obra. Os personagens também são bem desenvolvidos, divertidos para uma história escrita para um público-alvo tão exigente. O bacana do livro é que ele diverte qualquer idade, apesar de ser focado para as crianças e pré-adolescentes. Além dos "olhos", a história de Peter Nimble também é fantástica!

9 de jul. de 2012

Resenha | Branca de Neve e o Caçador

Os contos de fadas definitivamente voltaram com tudo! É impressionante como essas histórias que todos nós aprendemos na escola em livros infantis e sabemos de cor estão cada vez mais presentes no mundo pop atual. Seja em filmes, séries, musicais, e até em desfiles de moda: o "era uma vez" e o"felizes para sempre" continuam a fascinar a todos que tem contato. Não seria diferente com os livros, de onde todo esse mundo saiu e hoje estão ganhando adaptações, novas versões e cada vez mais ganhando tonalidades mais adultas, ou sombrias como muitos dizem. O clássico conto da Branca de Neve dessa vez tira os "anões" do título e coloca um "Caçador", dando um tom mais crescido a história, com adaptações um tanto interessantes.

Confesso que temia um pouco antes de ler Branca de Neve e o Caçador. Não pela história ter sido alterada, de modo algum - como já disse antes em resenhas anteriores, o novo me fascina - mas sim o fato do livro ter sido baseado em um roteiro de cinema adaptado para se tornar obra literária e a quantidade de autores incluídos no projeto - ao todo são quatro. Confesso que a obra me surpreendeu positivamente. O livro flui com uma naturalidade, uma leitura rápida e com grande fluidez, me fez apostar mais nesse tipo de leitura. Mal sentia o tempo passar ao ler. A jornada de Branca de Neve rumo à grande batalha contra a rainha Ravenna me empolgou e foi bem divertida.

Os capítulos curtos e a velocidade com que a história era contada me deixou um tanto dividido. Por um lado é bacana ler tudo tão rápido e ver que uma história com conteúdo está sendo contada, porém essa velocidade acaba atrapalhando o lado da emoção e afeição com os personagens. Foi difícil entender o drama de Branca de Neve que, apesar de ser clichê - no caso, vingança contra Ravenna, a rainha-bruxa - não estabeleceu um elo com o leitor. Boa parte é um tanto superficial em se tratando dos personagens. Vemos os autores tentando estabelecer elos, contar histórias paralelas, mas é complicado de se aceitar.

As diferenças do conto clássico para a nova adaptação foram extremamente positivas, não posso negar. O livro ganha um tom mais aventureiro, mais medieval e isso é empolgante em vários momentos. A ação também está muito presente que, mesmo com poucas descrições e, mais uma vez, a velocidade de escrita atrapalhando um pouco, não deixa a desejar. Toda a magia e seres fantásticos são incluídos, tornando todo o cenário do livro mais rico e ilustrativo. Pensei seriamente em presenteá-lo para todos os meus primos e primas mais jovens.

Esse livro me convenceu de que roteiros de cinema podem sim garantir um bom livro. Branca de Neve e o Caçador me surpreendeu pelo seu conteúdo e mitologia, pelas descrições bem colocadas e que novidades em uma obra clássica podem ser sim de bom gosto; porém seu problema seria mesmo os velhos clichês de Hollywood. Mas, cá entre nós, quem não gosta de um clichê bem contado, não é verdade?

16 de jun. de 2012

Resenha | Clube da Luta

O livro Clube da Luta foi originalmente publicado em 1996 e desde então o autor Chuck Palahniuk passou a ser um escritor mundialmente conhecido e exaltado, com milhares seguidores fervorosos. Toda a "febre" teve seu ápice no lançamento da adaptação para o cinema em 1999, com Brad Pitt e Edward Norton. Mesmo um fracasso nas bilheterias, o filme dirigido por David Fincher (A Rede Social) também passou a ser cultuado, dando margem até a trabalhos acadêmicos a artigos em grandes páginas da internet. Passados todos esses anos, cresci ao lado de pessoas que sempre me indicavam o filme que, mesmo sendo um cinéfilo de carteirinha, ainda não tinha assistido. Bem, como um bom bookaholic, resolvi ler o livro primeiro.

Ao ler conheci o protagonista dessa insana viagem de autoconhecimento e autodestruição. Com problemas de insônia, ele vai ao médico tentar encontrar uma solução; porém seu médico recusa a medicação e o recomenda a descobrir o que é realmente o sofrimento - em grupos de apoio a doentes mais graves. Lá, encontra um alívio para sua insônia e liberta-se emocionalmente, vendo pessoas mais sofridas e se sentindo melhor comparada a elas. Viciado nessa experiência, conhece Marla Singer, que também não está doente, mas o perturba por estar nos mesmos grupos que o dele. Enquanto isso, conhece Tyler Durren, um vendedor de sabão que o apoia em um momento de desespero e juntos iniciam o clube da luta, onde a experiência de sentir-se destruído os tornam mais vivos e humanos.

Posso dizer que a leitura foi como um todo extremamente confusa e perturbadora. Confusa no sentido do autor ter um estilo bem diferente do que eu costumeiramente leio, o que considero algo bom, pois assim os meus padrões literários mudam e o "novo" é sempre algo importante de se conhecer. Perturbadora no sentido de Chuck ressaltar em sua obra dilemas que nós como humanos temos e nem imaginamos que pensamos nisso: os padrões de vida, o consumismo, a publicidade criada para iludir, a morte como algo inevitável e o fato de você simplesmente viver e funcionar numa sociedade para o fim de apenas "servir", como um parafuso qualquer, sem uma grande importância para a sociedade. O que Tyler Durren nos afirma e ensina dói, mas não deixa de ser verdade.

"Apenas na morte mereceremos nosso nome verdadeiro, pois apenas na morte não seremos mais parte do esforço conjunto. Na morte nos tornamos heróis." - Clube da Luta, p. 221.

Queria descobrir qual o sentido de todo esse fenômenos cult que Clube da Luta se tornou. Queria descobrir o que tantas pessoas se impressionaram e viraram fãs, ao ponto de até criarem seus próprios clubes da luta. Bem, após ler e ver o filme descobri e ao mesmo tempo não. Tanto o livro como o filme te dão a sensação de agonia e dualidade proposto. O foco não está em uma história cronológica, mas sim em o que cada personagem representa e nos ensina. Existe toda uma filosofia implícita e explicitamente intacta, mesmo que o autor chegue a negar (como lemos ao final do livro, em seu posfácio) e isso é extremamente difícil de colocar em palavras mais exatas. Só mesmo tendo lido o livro para entender (ou não) o que esse livro representa.

Com velocidade na escrita, que chegou até a me perturbar em vários momentos da leitura, e um vocabulário sem censura, o autor criou uma obra única e extremamente recomendada, porém não senti aquela magia toda que me repassaram. Será que foi a alta expectativa? Não sei, pode ter sido. A leitura foi complicada em questão de fluidez dada a forma como o autor escreve, colocando histórias dentro de histórias e explicando coisas tempos depois de terem sido citadas. Nos sentimos perdidos a cada começo de capítulo, mas ao chegar no final tudo faz sentido e se encaixa de modo surpreendente. Mesmo suspeitando do final, fiquei impressionado com o seu desfecho e sua mensagem. É o tipo do livro que vou deixar guardado para daqui a, quem sabe, quatro ou cinco anos reler, e ter muito mais o que aprender. Quer ter uma experiência insana e empolgante? Leia.

11 de jun. de 2012

Resenha | Para Sempre

Para início de resenha, esse é um livro diferenciado para ser analisado. Primeiro, por se tratar de uma história real e segundo pela sua característica de narrativa, mais parecida como um relato pessoal do que como o que encontramos normalmente em livros escritos em primeira pessoa. Dados expostos, vamos à análise geral! Com 144 páginas, Para Sempre não é o tipo do livro que me decepcionou; digamos me surpreendeu em diversos pontos. Falhas são normais, porém a história de Kimmer e Krickitt Carpenter vem e supera todas elas.


O casal de estranhos nomes, ele é Kim e ela é Krickitt, se conheceu de uma forma inusitada e diferente. Só isso já os difere de uma linda história de comédia romântica. Passado o momento da conquista, noivam, resolvem se casar, tudo isso em menos de 1 ano, e de repente suas vidas são sacolejadas de modo irreversível. Um grave acidente de trânsito quase leva a vida dos dois, mas mal sabe eles que as consequências ainda vão surgir.  Kim sofreu menos. Kimmer também recupera-se, mas tudo que ela viveu nesses últimos meses não passam de meros borrões em sua memória.


O ponto alto do livro, como a sinopse já entrega, é a perda de memória recente de Krickitt. Imagine casar com uma pessoa e de repente ela esquecer que é casada. Como lidar com tal adversidade? Bem, isso realmente aconteceu e é isso que faz do livro mais vivo do que os outros. Ao ler, conhecemos cada obstáculo que Kim, o marido, superou para tentar conquistar  novamente sua noiva. Narrado por Kim, ele conta cronologicamente toda a história que, mesmo com falta de detalhes ou um pouco acelerado que o normal em romances (sentimos certa falta de descrições, falas e cenas), nos emociona, nos cativa e nos faz querer saber mais.


A história passa a tomar um caminho mais sério e de conscientização, atacando os relacionamentos fugazes e as separações em massa hoje em dia. Kim e Kimmer fizeram um voto de amor (The Vow, em inglês) e mesmo que o destino venha a atrapalhar suas jornadas, o elo continua lá, firme e forte. Mesmo com poucas páginas, toda uma mensagem é perfeitamente compreendida e me fez pensar nela por dias. A moral exposta no livro nos ensina a não desistir do que você quer, não importa as adversidades. O exemplo de Kim e Krickitt é vivo e está à prova de qualquer um que contestar.


Indico esse livro para os casais apaixonados que estão em início de namoro. Indico também para aqueles que estão em um casamento atribulado, porém nada comparado ao que Kim e Krickitt passaram. Reflitam. Sintam a mensagem desse livro e não se enganem com a quantidade de páginas. Por mais simples que a narrativa seja, complexo são os valores que lá estão sendo ensinados. Pensar no amor como um voto eterno entre duas pessoas, a fim de viver o resto de suas vidas juntos, é raro de se encontrar em nossos dias. Que tal conhecer e descobrir se isso realmente é possível?

4 de jun. de 2012

Resenha | @mor

Tudo aquilo que é novo, muitas vezes me assusta. Ao conhecer mais detalhes do livro @mor percebi que teria que encontrar sentimentos para encarar um livro tão inusitadamente diferente. A começar pelo título: sim, chama-se Amor, mas o "a" é uma arroba, tudo a ver com a história, mas é estranho, não? Enfim, o livro trata-se de e-mails. Apenas e-mails. E toda uma história é desenvolvida. Quer saber como? Vamos lá!

Tudo começa com um e-mail endereçado erradamente por Emmi Rothner a Leo Leike. Os dois acabam trocando farpas a princípio mas ao passo que vão se comunicando, as conversas vão crescendo e tomando outras formas. Não vou descrever como e quando isso acontece porquê essa dúvida só pode ser esclarecida no momento da leitura, e isso é um dos pontos altos do livro. 

É genial a forma como o autor leva a história - e tudo é transmitido por e-mails! Se contar uma história através de uma narrativa normal já é um grande desafio, imagina por uma ferramenta às vezes tão impessoal e fria. E Daniel Glattauer consegue, graças à sua  maestria com as palavras e assuntos bem colocados. Os e-mails tem temas, questionamentos, conflitos, brigas, reconciliações e tudo mais que uma história de amor poderia ter; mas o modo como nos é apresentado é ousado: ao ler os e-mails, lemos a visão dos dois personagens e ao mesmo tempo lemos o que cada um tem a dizer para o outro, como se invadíssemos a extrema intimidade de suas caixas de entrada em seus e-mails. 

Mas temos que lembrar que é um diálogo, e nem sempre cada um é 100% aquilo que é escrito por eles, afinal eles estão se conhecendo e se descobrindo. É tão íntimo e ao mesmo tempo tão distante; é tão verdadeiro que às vezes chega a soar falso. Fazemos os papel dos dois personagens ao mesmo tempo: ficamos empolgados quando eles se empolgam, rimos quando eles riem, choramos quando eles choras, sofremos quando eles sofrem. A conexão que os e-mails trazem é surpreendente e realmente, tenho que bater palmas a uma ideia tão brilhante.

Apesar de ser uma história interessante, curiosa e inteligente, o clima demora a acontecer. Senti que o autor se reprimiu durante o início do livro e deixou-se prolongar demais. As conversas rápidas tornam a leitura ágil, mas sabe quando a história meio que se arrasta? Pois é, as primeiras páginas tornaram-se repetitivas demais pra mim, porém o crescimento e o final (QUE FINAL!) me fizeram simpatizar novamente pelo livro. Então, não desista. Dica!

O que é uma relação real? Será que o amor só existe quando estamos do lado dela? O que vale mais: um sorriso bonito ou a maior declaração de amor em um singelo e-mail? Leia @mor e reflita sobre os verdadeiros laços de afeto, sejam eles visíveis ou não.

25 de mai. de 2012

Resenha | A Esperança

ATENÇÃO: ESTA RESENHA CONTÉM SPOILERS DOS DOIS PRIMEIROS LIVROS DA SAGA.

É chegada a hora. Antes de sentar em frente ao computador para escrever esta resenha, passei o dia refletindo sobre como poderia escrevê-la. O modo como fiquei ao terminar de ler A Esperança me deixou psicologicamente exausto, e não estou exagerando. Mas, qual o objetivo do livro a não ser nos abrir os olhos, nos influenciar, nos modificar, nos retratar? Não foi uma leitura fácil de ser absorvida. Me incitou, me fez pensar mais que o normal, me perturbou, me emocionou.  É, estou vendo que vai ser difícil expressar com poucos parágrafos como me senti e o quanto sofri com o desfecho de toda a trilogia. Só tenho a agradecer Suzanne Collins pelo prazer que foi conhecer essa história. E lá vamos nós.

Passado todo o drama de novos Jogos Vorazes com os antigos tributos vencedores na arena, incluindo Katniss e Peeta, descobrimos ao final de Em Chamas que enquanto os dois estão lutando novamente para sobreviver, a guerra está tomando forma lá fora. O Distrito 12 não existe mais. Presidente Snow e seus Pacificadores agora estão fazendo do antigo lar de Katniss e Peeta o mais novo "exemplo" a não ser seguido. Não se torne um rebelde. Mas já é tarde demais. O Distrito 13 não está destruído como imaginado, e sim preparando-se para uma guerra contra a Capital, ou melhor, uma guerra contra Snow - e Katniss é o rosto de toda a revolução.

A forma como Suzanne Collins leva a história nos faz perceber o quão profunda e inteligente a trama ainda demonstra ser. Suas camadas vão inicialmente sendo expostas a medida em que os preparativos para a guerra vão sendo relatados. Todo o sentimento de Katniss e sua confusão mental está lá, nos fazendo confusos também. Vivemos isso, sentimos isso. O livro já começa com uma tensão extremamente inquietante, nos fazendo ter mais vontade de passar as páginas e descobrir logo como tudo vai terminar; mas é impossível: Suzanne escreve de um modo capaz de nos prender a cada detalhe, cada palavra, cada vírgula, cada fala, cada gesto. E a simples página passa a ganhar 1 tonelada de peso, dado o quão importante ela é. Aqui vai uma dica: respire bem fundo, e leia com calma (se puder!).

Os acontecimentos do livro trazem analogias e explicações brilhantes. O desfecho é extremamente amarrado, como se a autora já certa de como tudo iria terminar desde o início (essa é uma técnica extremamente difícil para autores contemporâneos) tenha colocado elementos marcantes nos outros dois primeiros livros capazes de serem reconhecidos no terceiro, dando a sensação de ler uma obra exata, concreta, verdadeira, sem contestações. Símbolos, canções, personagens, momentos. Lembranças de um passado presente, em cada futura ação. Minhas palmas para a autora, e palmas para os personagens: mais humanos que muita gente por aí. Sentimos o drama de Katniss, sentimos o sangue no hálito de Snow, sentimos o clima de extremo desespero, a correria, a fome, a dor.

O livro traz em si uma carga de denúncia claramente evidente. O pão-e-circo da Capital, a ditadura ferrenha e cruel de Snow, o ataque aos nossos valores como seres humanos. Nos sentimos humilhados ao ler, como se nos olhássemos em frente ao espelho e disséssemos: erramos, acertamos, não valemos nada como humanos. Genial. No mais, em minha humilde opinião a autora nos deu um banho de sangue ao mesmo tempo que nos deu um excelente final. É claro que torcemos para que aconteçam várias coisas no decorrer da leitura (nós como autores) mas por mais que alguns fatos não tenham sido detalhados ou tenham acontecido rápido demais, fiquei muito satisfeito. Os futuros livros de História de Panem serão empolgantes de serem estudados, podem apostar. Foi uma incrível, intensa, e principalmente emocionante jornada ler a trilogia. Obrigado, srta. Collins.

30 de abr. de 2012

Resenha | Em Chamas

ATENÇÃO: ESTA RESENHA CONTEM SPOILERS DO PRIMEIRO LIVRO DA SAGA.

Finalmente li Em Chamas. Novamente me surpreendi. Não costumo escrever resenhas logo após a leitura do livro, fico amadurecendo toda a história na minha mente e absorvendo o que realmente foi ou não relevante para mim, mas com esse livro nada disso foi preciso ser feito; de tal madura a história já seja. Suzanne Collins sabe dar mesmo um show de surpresas, pois, quem já leu Jogos Vorazes, pois mais que saiba que se trata de um livro distópico e político de certa forma, o tom da história muda, e pra melhor. Como já havia afirmado antes, os livros de Collins são feitos para serem analisados e sofridos. Não é um simples young-adult.

Retomando a história, nesse segundo livro temos Katniss e Peeta como vitoriosos do últimos jogos. Seus problemas com comida passaram e ambos vivem bem melhor, na Vila dos Vitoriosos dos Distrito 12. Mas há um problema: seus atos suicidas no final dos jogos resultaram num espírito de rebelião por toda a Panem, e  o Presidente Snow não está nada feliz com isso. Daí começa todo o desenvolvimento da trama, que passa de uma simples história para uma complexa crítica a todo o sistema em que vivemos.

Assim, somos apresentados a vários novos fatos de rebelião, reviravoltas e muitas, muitas surpresas. Não tem como não se surpreender com tamanha reviravolta na história! A cada página, respirava fundo tal era a tensão das passagens e nelas, muitas novidades. A autora não economiza nas descrições (o que ajudou e muito na visualização das cenas, antes em carência no primeiro livro) e o livro torna-se interessante a cada palavra lida. E aqui vai uma dica: leiam o mais pausadamente possível (se conseguirem!); ao longo da leitura você melhor visualiza as cenas a analisa todo o contexto do momento. É incrível.

Mas, é claro, como nem tudo é perfeito, o início do livro deixa um pouco a desejar. Nunca detestei tanto a Katniss durante a primeira parte do livro! Garotinha chata, hein? Mas graças à Deus nossa querida protagonista foi melhorando ao ponto de amá-la perto do final. Outra coisa que me chamou a atenção foi a maior presença de Gale, que finalmente se destaca,(mesmo que pouco em comparação a outros personagens) sendo protagonista de uma das cenas mais intensas de todo o livro. E sim, Cinna continua firme e forte ao lado de Karniss como seu estilita e grande amigo; e sua participação é per-fei-ta! Emoção pra dar e vender!

E é claro que somos apresentados a novos personagens. E eles não deixam nada a desejar aos que já conhecemos. Anotem esse nome: Finnick. Just saying.

Em resumo, Em Chamas sabe dar um show de surpresas. Por mais que eu ame o primeiro livro da saga, este torna-se superior por ser mais denso, complexo e adulto - e isso me fascina. O bacana é perceber que a história de Katniss cresceu e poderia simplesmente acontecer nos dias de hoje. Por isso é tão importante ler esse livro. Retrata aquilo que pode ser vivido, por isso tamanha a interação e envolvimento com a história. Decidiu ler? Prepare-se, respire bem fundo e que a sorte esteja sempre ao seu lado.

23 de abr. de 2012

Resenha | Garota Replay

O sonho de todo autor literário é ter uma grande ideia para desenvolver um livro. Quem sabe até uma saga, como aconteceu com J.K. Rowling e vocês-sabem-quem. Deve ser mágico o momento da concepção de uma história, seu desenvolvimento e desfecho, para no final observar a obra completa e ter orgulho das horas a fio de tanto trabalho frente ao computador, pensando, analisando, reescrevendo... Senti que a autora Tammy Luciano teve uma ideia bacana com a sua Garota Replay, criou uma história atual, curiosa, porém o desenvolvimento deixou a desejar em muitos momentos.

Conhecemos Thizi e logo no início da leitura vemos que sua vida está um tanto agitada. Seu atual namorado é um mulherengo nato (pra não chamar de outra coisa), seu melhor amigo tenta abrir seus olhos pegando o cara no flagra numa boate carioca e, pra piorar tudo, seus pais estão sempre ausentes, em viagens ao redor do mundo. Louco, não? Opa, esqueci que agora ela anda vendo pelas ruas uma cópia sua (a replay do título) e não está lidando muito bem com outra (e melhorada) versão de Thizi andando pelo Rio de Janeiro. 

A trama pode soar boba ao princípio, porém a autora aprofunda a história e eu achei isso bem bacana. Não posso contar muito porque posso revelar algum spoiler indevido, mas ao ler já tinha adivinhado que "isso (a grande sacada do livro)" iria acontecer. Pra mim foi previsível, mas para você caro leitor e leitora, pode ser uma grande revelação, então não vou estragar nada, ok? Ao ver a personagem em conflito lidando com todas essas questões que, para nós, podem ser simples, corrigidas um uma boa festa, quem sabe, vi que Thizi foi bem humaizada e vê-se claramente um depoimento indireto da própia autora (Tammy, por favor, quero saber se tem um pouco de você na Thizi!).

Bem, senti também que o livro quer nos passar uma mensagem meio que de auto-ajuda. É, eu não gosto muito do estilo literário e mal leio (ok, passo longe mesmo) mas o modo como Tammy colocou foi simples, apesar de brusco em vários momentos, como se parasse a história e estivéssemos lendo Augusto Cury. Sendo um livro voltado para o público jovem (público esse que, aos meus 18 anos, não me sinto mais incluído) achei que Tammy fez um trabalho regular, sem muitas surpresas, mas não sofrível ou ruim de ler; só não foi aquilo que eu esperava. Tammy tem a essência da boa escrita, dá pra sentir principalmente nas ultimas páginas e em cenas mais divertidas e românticas (a cena de Thizi no quarto deitada de mãos dadas com **** é linda!), mas acho que falou aquele elemento "X" do sucesso e do "ótimo livro". Vou ficar de olho na autora, potencial não falta.

17 de abr. de 2012

Resenha | Tudo Pode Mudar

Vou confessar algo que muitos já sabem e, certas vezes, me julgam por isso: estou sempre a procura de novidades. Algo fora do usual, do simples, do normal. Seja na música, filmes e claro, livros, o estranho me fascina e a novidade é empolgante e me dá a sensação de que a criatividade ainda não acabou. Por que me julgam? Vou explicar: porque tento fugir do usual, do clássico e digamos, tento ousar. Ao ler Tudo Pode Mudar, vi claramente um livro capaz de me chamar a atenção por ter uma fórmula comum e simplória, mas quem nos surpreende de modo extremamente positivo. E como surpreende.

Pra início de conversa, é uma das minhas melhores leituras até hoje no blog. Sério, o livro me cativou de uma forma que há muito tempo eu não sentia com obras desse gênero. O autor Jonathan Tropper está de parabéns; sua escrita é impecável e nos faz refletir com suas frases extremamente bem elaboradas e marcantes. As "quotes" são para dar e vender, pode acreditar. Se você achava (pela capa, sempre culpada de julgamentos prévios) que o livro se tratava de auto-ajuda ou algo do tipo, está totalmente enganado. É um romance lindo, engraçado, empolgante, surpreendente - como um bom filme. As relações familiares estão belíssimas e emocionantes e, claro, o romance não nos deixa não mão. Passagens quentes e intensas pra que curte podem ser encontradas. No mais, ou você chora de rir ou chora de emoção e drama. Tudo flui naturalmente.

Se vocês checarem o meu "Tempo de leitura" no topo da resenha, vão encontrar "7 dias". Posso explicar. Além de ter pouco tempo para ler, não conseguia terminar porque NÃO queria terminar! Sério! Não que a história tenha um objetivo ou um clímax que é esperado desde o início. Não. O livro transcorre de modo inesperado o tempo todo. Você não sabe o que esperar das decisões de Matt e seus dilemas pessoais. Os capítulos curtinhos também ajudam a dar boas respiradas e mudar de cena rapidamente, sem ser apressado ou disperso; o autor é completo: faz piadas inteligentes, descrições impecáveis e conta a história de um lado íntimo que só sendo o protagonista pra sentir. Podemos nos conectar com Matt, sentir suas emoções, tentar resolver seus dilemas com seu pai ausente viciado em viagra, seus irmãos "diferentes", seu grande amigo rico e de luto eterno, seu estranho amor pela ex-mulher de seu melhor amigo já morto e seu noivado perfeito e totalmente imperfeito ao mesmo tempo.

Em resumo, Tudo pode mudar me surpreendeu e com certeza vai surpreender mais leitores. Espero! Queria muito que todos tivessem a oportunidade de ler essa obra e enxergar novos modos de ver literatura moderna e divertida, sem deixar de ser profunda e com conteúdo. Jonathan me lembrou em vários momentos um 'Nicholas Sparks", porém mais jovem e ousado. Já soube que o livro vai virar filme, então vamos torcer para que Jonathan seja mais um grande sucesso e que venham mais obras. Virei fã.

26 de mar. de 2012

Resenha | Jogos Vorazes

Fenômenos literários não são raros. Sim, é o que eu acho. Você deve se lembrar, naturalmente, da história do bruxo que derrotou o lorde das trevas ou até mesmo, do Romeu e Julieta vampiresco; mas claro, ambos são os mais recentes. São considerados fenômenos visto que conseguiram fazer milhões de fãs, tornaram-se best-sellers internacionais e sucessos de bilheteria em suas adaptações para o cinema. Porém há um fator diferencial em obras como essas: poucas deixam um legado. Sim, nem todo fenômeno consegue se eternizar na história um na literatura, deixando de ser apenas uma febre momentânea e nos fazendo pensar por bastante tempo sobre sua mensagem. Ao ler Jogos Vorazes senti que finalmente temos um fenômeno inteligente e capaz de deixar questionamentos, causar debates e ser, quem sabe, eterno.

O livro de Suzanne Collins já vem causando burburinho desde 2008, seu ano de lançamento. Quem acompanha blogs literários nacionais e internacionais já ouviu falar do livro, não há dúvida. Por ser uma obra moderna, atual e original, mesmo com inspirações em outros livros com temas semelhantes, o livro chamou a atenção e logo tornou-se um best-seller. O mundo parou para ler a história de Katniss e seu drama para sobreviver e cuidar de sua mãe e irmã num país distópico e ditatorial. Com tantos elementos no livro de fácil identificação (o show de horrores que são os jogos, o tema da fome a luta pela sobrevivência, a corrupção da mídia, a luta pelos direitos humanos, entre outros) ficou fácil para Jogos Vorazes ser tão aclamado, como um novo fôlego de mudança e esperança para os dias de hoje.

É difícil escrever sobre um livro que você gostou tanto. Não tenho palavras para descrever o prazer que foi ler Jogos Vorazes. Todo o mundo criado pela autora é de fácil identificação e até imaginamos que tais coisas podem mesmo acontecer nos nossos dias. As críticas impostas no livro vem em boa hora, já que vivemos um tempo onde sorrimos vendo a desgraça alheia e nos atamos a futilidades e ao consumo impensado. Creio que o tema dá um bom tempo de debate, e isso que é o bacana dos livros: o modo como eles interferem na vida real. Mas peraí, eles são reais. 

Falando de forma, a escrita de Suzanne é direta e, de certo modo, simples, porém entendo seus motivos. Ela tem a ousadia de querer chocar, de modo que encaremos os acontecimentos na história como um susto e ao mesmo tempo envolvente. Suas pitadas de romance são bem vindas, aliviando a leitura em certos pontos, o que achei muito bacana. A história e seus valores contidos mexeram muito com os meus sentimentos, antes adormecidos; há muito tempo não me apaixonava tanto por um livro, por uma história, por uma personagem. Conheci Katniss e esse encontro foi intenso e inesquecível. Convoco à todos que leiam esse livro e que olhem para a história e captem toda a crítica, toda a mensagem implícita e explícita. 

P.S.: Estou mais do que ansioso para ler Em Chamas. não consigo pensar em outra coisa!

9 de mar. de 2012

Popcorn! | Jovens Adultos (2011)

Sempre quis saber de onde vem a inspiração de alguns autores. Experiências? Imaginação? Casos na família? Vaira muito. E aqui estou eu, diante de um filme com essa temática (ou pelo menos toca bem no assunto). Estou falando de Jovens Adultos (Young Adult) e sim, se você acha que o título tem a ver com o gênero que nós adoramos ler: você está certo! No filme conhecemos Mavis Gary (Charlize Theron), uma escritora de livros young-adult (ou simplesmente YA: livros voltados para adolescentes) que está passando por uma séria crise pessoal. Divórcio, falta de criatividade para dar um fim digno a sua série de livros, pressão da editora, baixa auto-estima são só alguns de seus problemas. Na tentativa de reverter seu quadro deplorável, Mavis volta a sua cidade natal na tentativa de reconquistar seu ex-namorado de adolescência, Buddy (Patrick Wilson) e ao mesmo tempo terminar seu livro. O problema é que Buddy está com uma família formada. Eu disse "problema"? Isso não é problema para Mavis. Ela está disposta a destruir tudo e todos na busca da sua felicidade.

Ao perceber que pode não conseguir o que quer, tenta virar o jogo com novas atitudes ousadas sem ligar para as consequências. Na medida em quem Mavis volta à cidade e seus antigos "colegas de escola" a reconhecem, soltam frases como: "O que essa vadia está fazendo aqui?". É, vamos descobrindo o passado queen bitch da protagonista (mesmo que rasamente) e vendo seus motivos para estar assim, nesse estado. Imagine rever todos os seus colegas de colégio 17 anos depois: cada um com suas vidas simples, suas famílias. E você mesmo atingindo tudo o que almejou na adolescência, parece infeliz tamanha é a simples felicidade dos outros. Muita coisa pode mudar; e é isso que o filme que passar: o mundo dá voltas e você sempre acaba se surpreendendo e se conhecendo. 

Apesar de ser vendido como um filme de comédia, Jovens Adultos tende muito mais ao drama. Mavis é uma personagem frágil e mostra essa fragilidade ao longo de sua jornada de conquista (Charlize está impecável no papel, um de seus melhores trabalhos). É bacana de ver que o que a autora está vivendo acaba interferindo em sua obra, como um escape emocional projetado no papel.  A princípio pode parecer um filme bobo ou parado, mas ele muda de tom e cresce de um modo a nos fazer refletir sobre o que queremos no futuro e se nossas realizações valem mesmo a pena; se nos trazem (ou vão trazer) mesmo a felicidade que tanto buscamos.

Jovens Adultos estreia dia 6 de abril nos cinemas brasileiros. Veja o trailer:

4 de fev. de 2012

Resenha | Sussurros de uma garota apaixonada

Dizem por aí que antes de você morrer tem que fazer três coisas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Porém, tudo ao seu tempo. Plantar uma árvore é bacana, um bem para o planeta; ter um filho significa legado, parte de você ainda vai viver quando chegar a hora de partir e escrever um livro, bem, pode ser incrível ou pode ser um total desastre. É preciso reconhecer em si a competência, responsabilidade e principalmente talento, não apenas ter em mãos uma boa história com premissas interessantes. Creio que a autora Mandy Porto se equivocou; poderíamos ter ficado sem Sussurros de uma Garota Apaixonada e a ter conhecido mais tarde, ou num futuro próximo, quem sabe.

O livro, narrado a maior parte pela protagonista, conta a história de Brooke, uma garota recém-chegada na universidade de Stanford para cursar Medicina. Logo em sua chegada conhece Danny, um playboy metido que esbarra na garota e de cara já se estranham. Semanas depois Danny é assassinado por um serial killer e volta como fantasma surgindo apenas para Brooke. Cabe a ela lutar contra seus sentimentos de repúdio e ajudar Danny a descobrir quem é o tal assassino. E claro, luta contra o amor que surge por um ser do além.

Não esperava muita coisa boa vindo de uma premissa simples e clichê, porém tinha esperanças que a história se desenvolvesse de forma com quem me surpreendesse; o que não aconteceu. Personagens superficiais que chegam a dar repúdio, e elos de amizade e amor que nunca existiram se apresentam no meio e no fim do livro, parecendo que pulamos cinco ou seis capítulos. Brooke se apaixona pelo cara arrogante e estúpido em aproximadamente meia página. O fantasma Danny volta arrependido de suas atitudes e é logo perdoado. Essas coisas a gente não consegue engolir durante a leitura.

Se os problemas fossem somente na história em si, eu até toleraria, afinal a história ou o desfecho dela é pessoal e cabe cada um avaliar. Mas, um ponto que não posso esquecer é a escrita fraca e simplória de Mandy Porto. Senti que a autora é uma leitora assídua acima de tudo e com isso passou a pegar elementos de outros autores e apresentar em seu texto, deixando-o sem nenhuma identidade. Inspiração não serve de desculpa nesse caso, vejo alternativas mais "fáceis" de escrita. Por que tentar ser Stephenie Meyer, Meg Cabot, J.K. Rowling e simplesmente ser Mandy Porto?

Frases feitas, diálogos totalmente desnecessários e uma bipolaridade tremenda na história fazem desse livro, infelizmente, uma das minhas piores leituras. Se a autora tivesse a maturidade de escrever esse livro com responsabilidade, visando um público definido e com uma carga maior de conhecimentos e trabalho na escrita, talvez o resultado poderia ter sido , no mínimo, agradável.

31 de jan. de 2012

Resenha | A Maldição do Tigre

Sempre que alguém fala sobre o hábito de ler, seja um professor de literatura até um simples leitor, sempre surgem aquelas velhas frases de efeito (mas que tem toda a razão) como "ler nos dá asas a imaginação" ou "a literatura nos liberta, nos faz viajar sem sair do lugar". Pois bem. Durante a leitura de A Maldição do Tigre, rememorei o velho e verdadeiro sentido dessas frases já tão usadas e, quer saber? A viagem foi muito, muito boa.

O livro conta a história de Kelsey, uma jovem adolescente recém-graduada na ensino médio a procura de trabalho temporário para pagar a faculdade. Encontra um 'bico' num circo: terá que fazer de tudo, desde ficar na bilheteria a cuidar de um... grande tigre branco! Ela aceita,e é arrebatada pelo felino. Seu olhar triste e cheiro de sândalo aguça cada vez mais a curiosidade da garota e logo torna-se companheira fiel do animal em sua jaula. O que ela não sabe é que o tigre na verdade é um grande príncipe indiano chamado Dhiren, e ela é a única que pode salvá-lo de tal maldição que já dura mais de 300 anos.

Particularmente, durante a leitura de livros com uma grande carga de mitologia própria, fico com um pé atrás, sempre observando se existem erros ou algo inexplicável que eu quero que seja explicado mais pra frente; porém o livro não deixa a desejar nesse quesito. A história é bem amarrada, a mitologia baseada nas lendas e crenças indianas é rica e gostosa de acompanhar e as explicações (que eu tanto aprecio e aguardo) são críveis e bem elaboradas. Outro ponto alto do livro são as grandes missões que os protagonistas tem de enfrentar; tudo no maior estilo Indiana Jones: caçada de artigos sagrados, cidades de pedra repletas de armadinhas, a luta pela sobrevivência na selva, animais dos mais diversos tipos (alguns até sobrenaturais, como os macacos-vampiros ou kappas) e deusas indianas com suas bençãos e armas especias (gadgets, we love it!).

Como o livro se trata de um romance, também temos Kelsey lutando contra o seu amor para com Dhiren (ou somente Ren, ao longo do livro); vemos uma protagonista com síndrome de inferioridade, visto que o príncipe "é perfeito demais para ela". Achei muito bacana por parte da autora colocar em sua obra traços de muitos adolescentes do século XXI, fazendo da leitura de fácil identificação e atual. Também tenho que elogiar a escrita de Colleen Houck (e a belíssima tradução) que dá o tom épico e eloquente a obra. As passagens são muito bem escritas, e as descrições de detalhes é de qualquer autor invejar. Como eu disse no início da resenha: foi realmente uma incrível viagem. Me senti na Índia com Kelsey, Ren, Sr. Kadam e toda a magia da história. Adorei conhecer a Índia e mal posso esperar para voltar, afinal, o livro faz parte de uma trilogia e o segundo volume, O Resgate do Tigre (título provisório) promete, e muito. 

P.S.: A resenha ficou enorme, mas são tantos detalhes bacanas que ainda estão faltando que me dá um aperto no coração. A capa é linda, tem um efeito laminado belíssimo (procurem nas livrarias). Leiam a obra e participem da emocionante jornada de Kelsey e Ren.

17 de jan. de 2012

Resenha | Confissões de um turista profissional

Quando o assunto é viajar, eu até que manjo bem da conversa. Não por quantidade de destinos ou milhas rodadas, mas sim a prática, as dicas básicas e detalhes que acompanham todo e qualquer pacote de viagem. Como já viajei bastante, me identifiquei com várias das crônicas (não todas, claro - principalmente se tratando das viagens internacionais) que encontrei no livro. E até que foi divertido. Em Confissões de um turista profissional, o jornalista Kiko Nogueira nos apresenta a Jota Pinto Fernandes, seu alter ego chato, porém sincero; nos mostrando que nem toda viagem é aquilo tudo que aparenta ser.

O livro curtinho de 96 páginas vem recheado de textos (ao todo, 37) antes publicados na coluna O Turista Razoável, da revista Viagem e Turismo, todos assinados por Jota Pinto Fernandes. O autor relata em curtos, porém diretos, parágrafos curiosidades, reflexões e boas histórias de suas viagens, nos fazendo perceber que nem tudo são flores em uma "volta ao mundo por 1 ano" ou um "mochilão na Europa"; porém confirma que toda viagem pode ser sim divertida, intensa e inesquecível.

Jota Pinto tem uma particularidade que às vezes funciona e às vezes não nos seus textos: a irrêverência. Há textos divertidos e bem engraçados como "Ráu Mãtch?", "Made In Brazil", "Viajantes contra Turistas", entre outros, que ao tempo em que nos apresentam fatos e curiosidades cômicas, também criticam  e alfinetam o governo, o sistema de turismo, o serviço prestado... tudo na base do falso elogio, bem inteligente. Mas outros textos nos mostram ser limitados a sua falta de graça e o excesso de sarcasmo - como em "Baixo custo e baixo nível" - ou devido à data de publicação, por serem específicos demais em  acontecimentos recentes, na época - temos "Selva de Pedra". como exemplo. A falta de noção ou os excessos do alter ego tornam certos textos desnecessários e irritantes, mas nada que não possa ser compensado com outras boas doses de humor nas seguintes.


Queria também destacar o cuidado da diagramação e finalização do livro - ambos impecáveis.  A cada novo texto, acima do título vem uma ilustração simples, porém inteligente e criativa; um dos detalhes que fazem toda a diferença na publicação. Sempre ao final de cada leitura, voltava a folha, via a figura e dava um sorriso de tão interessante que era. No mais, Kiko Nogueira é experiente, tem bases sólidas no que fala, critica e elogia. Recomendo a todos que amam viajar e sabem dos "perrengues" que nós, turistas ou viajantes, passamos quando "aquele hotel em Gramado não era lá essas coisas" ou quando "Porto de Galinhas é um farofal  interminável" e também aos que vão viajar (ou pretendem!) e ficar a par de detalhes como passeios em Paris, ilusões em Orlando, curiosidades de Cuba... e até os lanches do avião (quando tem, claro)!

12 de jan. de 2012

Resenha | Numbers: Tempo de fuga

Basicamente, o que eu espero de um livro é que tenha um começo empolgante, um desenvolvimento agradável e uma conclusão bem definida ou promissora. Difícil é encontrar livros de série que acerte em todos esses pontos a cada volume. Numbers: tempo de fuga, a primeira parte de uma trilogia (até o momento), acerta apenas no início; já o resto não passa de simples enrolação para ver se o livro rende as 350 páginas.

O livro narra a história de Jem, uma garota de 15 anos que viu a morte de perto desde que sua mãe morreu de maneira trágica. O que ela não entendia era os números que ela via sempre que olhava nos olhos de alguém, e que mais tarde descobriu se tratar de uma data... uma data de morte. Atormentada com esse dom (ou maldição), a garota conhece Spider, um garoto rebelde e malcheiroso, com cara de problemas. Logo tornam-se amigos e curtem Londres como Jem nunca havia curtido. Só que um acontecimento na London Eye os faz fugitivos, procurados por todos. Todos viram inimigos e eles só tem um ao outro.

Eu queria muito (muito mesmo) ter gostado desse livro. O enredo prometia bastante, de um modo diferente e cool. A capa é belíssima e sua diagramação é bacana (parabéns à editora iD que manteve tudo original como a edição internacional) e a leitura é agradável, flui rapidamente e de fácil entendimento. Rachel Ward fez seu trabalho direitinho, escreve bem e tem potencial. Porém senti que ela também percebeu esse potencial na história e tentou fazer de Numbers o seu "Harry Potter", digamos assim. O que podeira render um livro incrível, de somente um volume, acabou arrastado e com passagens totalmente desnecessárias. A minha procura por momentos importantes foi frustrante e a cada folheada eu me perguntava: por que eu ainda estou lendo? É claro que há uma expectativa por que vai acontecer no final, porém ela acaba enfraquecendo à medida que os personagens, totalmente sem carisma, apenas correm sem rumo.

O bacana mesmo do livro fica somente para o "poder" de Jem em ver a data da morte das pessoas. Apesar de mal abordado, o tema "como lidar com a morte" é um dos grandes trunfos do livro, nos fazendo refletir o quão efêmera a vida é e que a cada segundo estamos morrendo; porém estamos vivos então vamos agradecer por isso. É raro encontrar temas como esse abordados em livros young-adult e tive uma pequena esperança para a continuação. Vou torcer para que a autora dê mais sentido aos volumes e os torne independentes, deixando ou pouco de lado a ganância de vender mais livros, certo? No fim de toda essa choradeira da minha parte, Numbers engana direitinho, vende seu peixe mal, porém nos diverte em alguns momentos. E sua continuação promete. Espero não estar enganado novamente.


Conheça a trilogia de Rachel Ward clicando aqui.

1 de nov. de 2011

[Resenha] Eu Sei o que Você Está Pensando


Sempre fui fascinado por livros policiais, desde o meu início na vida de leitor. Como é incrível analisar cada pista, cada detalhe, fazer ligações entre os personagens e descobrir quem é o assassino através de cada pista apresentada no texto. Lá estamos nós tentando superar o mistério e ao mesmo tempo aquele que desde o princípio já sabe quem é o vilão, o autor. Quando descobrimos antes, o final é sempre entediante. Mas quando a surpresa é das boas, se segura que a empolgação aumenta! Na obra de estréia de John Verdon isso acontece; pena que atrasado demais.

Conhecemos então o famoso detetive recentemente aposentado David Gunrey, que acabara de se mudar com sua esposa para o interior de New York superar dramas pessoais, se reaproximar da esposa e se adaptar melhor a vida de ex-detetive. Porém, ao ser contatado por Mark Mellery, um antigo colega de faculdade, para solucionar um enigma intrigante: “Pense em um número de um a mil... agora veja como conheço seus segredos” – diz o criminoso em seus bilhetes; Gunrey embarca em uma nova investigação daquelas que somente ele poderia resolver. Um caso de psicopata, extremamente frio e perfeito em seus atos criminosos. Daí vem o dilema: seguir na investigação ou recuperar sua família.

Basicamente, é um típico livro "policial atrás de criminoso", que estamos acostumados (bem, pra quem curte romances policiais!), porém com uma pitada de ousadia. Ousadia, digo, da parte criativa da história. Verdon é muito feliz em nos dar pistas antes de tudo "sem sentido", características psicológicas dos personagens e até pensamentos do próprio assassino - coisa que é rara em obras do tipo. Mas, ao longo da trama tudo se complica mais e mais, nos fazendo cansar e até desistir da leitura em alguns momentos. Idéias sem nenhum nexo nos são apresentadas, e a vontade é de esquecer tudo e passar as folhas para saber logo quem é o tal psicopata. O autor também preza por detalhar muitas coisas totalmente desnecessárias para o desenvolvimento da história - creio que com a intenção de deixar o clima mais leve em alguns trechos, mas sem sucesso.

Mas aí vem o momento em que tudo se encaixa. Todas as peças apresentadas, as idéias expostas são retomadas, os enigmas solucionados... Tudo se une e toma forma no final nos dando a sensação de que tudo valeu a pena; porém ao longo disso já se passaram 300 e pesadas páginas, sendo um final um tanto rápido; sem perdoar o leitor que sofreu (e se enteditou) tanto. Perguntamos-nos ao final onde estão os quase trinta personagens que aparecem durante a leitura, depois do mistério ser resolvido e ficamos sem resposta.

Mas, creio que o autor ouviu minhas preces, e ignorou tudo que estava sendo desenvolvido, nos dando um final e pronto. “Levante-se da poltrona e volte para casa. O filme é só isso”. No mais, Eu sei o que você está pensando é inteligente, um tanto clichê em escrita, mas digerível. Daqueles livros que empolgam somente ao final e é de certa forma interessante acompanhar, seja por curiosidade ou por puro hábito.

10 de set. de 2011

Resenha | Academia Knightley


Uma boa parte dos novos autores voltados para o estilo young adult, suponho eu, sonham com o grande sucesso internacional nesse ramo; afinal seria o máximo  dar palestras, noites de autógrafos, ter o apoio dos milhares de fãs, e até uma adaptação cinematográfica – tudo isso preenchendo muito bem seus bolsos, claro. O fato é que para se fazer sucesso é preciso se diferenciar – tanto em sua obra como na maneira de abordar muitos temas comuns. Bem, um exemplo vivo de sucesso pleno e grande revolucionária do mercado literário internacional nessa seção é J.K. Rowling, a “mamãe” de Harry Potter. Daí, você já sabe... Muitos se espelham em seus ídolos, também querem fazer sucesso, e acabam, digamos que, não se diferenciando.

A obra de Violet Haberdasher, Academia Knightley é um exemplo desse tipo de obra. O livro conta a história de Henry Grim, um mero criado de um colégio elitizado que através de aulas secretas, com a ajuda de um professor amigo seu, tornou-se um grande estudante capaz de superar a todos os outros alunos no exame para a Academia Knightley. Aprovado, Henry é aceito, mesmo depois de muitos problemas devido a sua classe social. Logo ao chegar à Academia visando estudar e se tornar um grande cavaleiro de seu país, ele percebe um forte preconceito partindo de seus colegas, e até professores. Com o apoio de seus amigos também plebeus Rohan e Adam, Henry tenta sobreviver os ataques de bullying vindos de todo lado. Não só isso, o trio também sofre uma série de sabotagens e armações anônimas que os fazem chegar cada vez mais perto da expulsão.

Resumos a parte, lendo esse livro encontramos muitos personagens que nos fazem lembrar diretamente a obra de Rowling, tanto por suas características ou até pelos nomes parecidos (ex: Henry – protagonista de Academia Knightley / Harry – protagonista da saga HP), mas isso é uma faca de dois gumes. Por um lado é uma obra muito agradável de ler, os personagens são bem desenvolvidos, os diálogos são bem construídos, por mais que alguns sejam totalmente desnecessários, e a história consegue sair do estilo “garoto humilde é o escolhido para salvar o mundo” naturalmente e de um modo bem interessante: conseguimos humanizar os personagens e tratá-los como se fossem nossos amigos. O começo é bem empolgante, na medida em que vemos Henry superar as adversidades impostas e tudo com grande inteligência e racionalidade. Porém, é bem infeliz ver uma obra digna de notas excelentes, no seu desenvolvimento, cair no óbvio e acabar parodiando uma obra de sucesso. Lamentável, mas não é algo impossível de se consertar. O livro é a primeira parte de uma trilogia, sendo sua segunda parte já publicada lá fora. Tendo plenas esperanças de que Academia Knightley não é um caso perdido.

Ao longo da trama dá para sentir a autora tentar se distanciar do cronograma já planejado para a escrita muitas vezes, e isso enriqueceu muito o livro, mostrando certas reviravoltas dignas de aplausos. O ápice do livro chega a ser fraco, mas é totalmente crível, tendo todos os pontos em aberto respondidos. Abre-se uma linha bem mais interessante para a continuação, o que deixa o leitor interessado em como essa história vai continuar e não apenas como vai terminar. Vale também ressaltar a influência histórica na obra, sendo pincelada com temas como o nazismo e o comunismo. O bullying também é fortemente abordado, mas as soluções não são apresentadas, dando margem à vingança. No mais, Academia Knightley segue um padrão conhecido de sucesso, tenta se desviar dele corajosamente em alguns momentos, mas acaba se entregando ao óbvio. É agradável, e infelizmente não traz nada de surpreendente. Estou com os dedos cruzados para uma boa continuação.

21 de ago. de 2011

[Resenha] A Morte e Vida de Charlie


O tema do espiritismo é muito abordado em várias obras já conhecidas pelas massas. O escritor brasileiro Chico Xavier é a prova de que o tema fez e ainda faz sucesso, com milhões de livros vendidos e três adaptações para o cinema de sua vida ou obra. Deixando a religião de lado e partindo para a curiosidade geral, a vida após a morte é um dos grandes mistérios do homem – já que quem enfrentou a morte não tem como contar o que acontece e se é que acontece algo (pelo menos, cientificamente falando) – e a curiosidade só tende a crescer na medida em que temos conhecimento de livros e mais livros abordando esse tema. Ben Sherwood, jornalista americano formado em Harvard e Oxford expôs em seu livro ‘Morte e Vida de Charlie St. Cloud’ a sua visão de vida e morte, de forma simples e inteligente; porém sem grandes novidades.

Charlie St. Cloud e seu irmão caçula Sam são inseparáveis. Fazem tudo juntos, são companheiros, e principalmente sonhadores. Prezam o valor dos pequenos momentos juntos, treinam beisebol e se entendem - à maneira deles. Em um acidente trágico de carro, Charlie se vê sozinho já que seu irmão falecera. Porém algo mágico acontece: enquanto estava desacordado por conta do acidente, Charlie interage com Sam em um plano entre a vida e a morte, e promete nunca abandonar o irmão. Voltando a vida, ele passa a ter o ‘dom’ de ver as almas daqueles que ainda não fizeram a travessia para o plano superior – incluindo Sam. Atormentado pela culpa, Charlie se vê em dívida com o irmão e por 13 anos passa a visitá-lo e treinar o beisebol, sempre ao pôr-do-sol numa clareira do cemitério onde ele trabalha e Sam está enterrado. Só que Charlie conhece uma garota, a velejadora Tess Carroll, fazendo Charlie repensar toda a sua vida e descobrir o seu real sentido.

Creio que o livro tinha todas as ferramentas para ser um excelente livro, digno de cinco estrelas. A história é interessante, bem elaborada e curiosa. Porém, a leitura não é a das mais agradáveis. Ben peca ao se prender em detalhes dos mais variados e sem nenhum acréscimo a trama. Diferente de Nicholas Sparks, que relata aspectos físicos e psicológicos com maestria enriquecendo a obra, Ben não soube focar num estilo e seguir. Trabalha no piloto-automático, com algumas frases de efeito que chamam a atenção; e nada mais. Outro fato que me incomodou foi o final. Achei clichê, mas não um clichê bacana (tem uns que até são legais), e sim um clichê meramente previsível – estou falando da relação de Charlie e Tess. Tirando esse lado negativo que reduziu a nota final da minha avaliação, o ponto positivo ficou a cargo da relação de Charlie e Sam que eu achei fantástica. Bem escritas, as cenas e os diálogos são memoráveis e a lição de vida deixada impressa é comovente. Outro aspecto positivo é o clímax da obra (quando você ler vai saber), que foi a única coisa que me surpreendeu de verdade. Em se tratando de diagramação, a Novo Conceito corrigiu o que me incomodou um pouco em outras publicações que são os diálogos. Nesse livro, eles estão todos bem arrumados e corrigidos, impecáveis. A leitura em 3° pessoa flui naturalmente, por mais que incomode em alguns momentos – parece que o autor nos que enrolar um pouco para chegar a um determinado objetivo, o que me cansa – é de simples entendimento e fácil de absorver.

Como muitos também sabem, o livro ganhou uma adaptação para os cinemas. Estrelado por Zac Efron, ‘A Morte e Vida de Charlie’ é bem fiel ao livro e isso me agradou muito, por mais que muitas cenas tenham sido criadas pelos roteiristas para melhor facilidade em contar a história (como por exemplo, a cena de Charlie recebendo a notícia clímax da história na cafeteria é bem diferente, mas facilita muito o entendimento dos que não leram o livro). O elenco ficou bacana, com Ray Liotta como Fiorio Ferrente, o bombeiro que salva Charlie da morte e o próprio Zac Efron que me surpreendeu nas cenas mais dramáticas. Já a escolha de Amanda Crew para interpretar Tess Carroll eu considerei equivocada. Faz o básico, sem novidades ou profundidade na história e a química com Efron é zero. Relevando, o filme tem cenas lindas, muito fiéis ao livro e a fotografia é belíssima, chamando muito a atenção. De fato, se quiser acompanhar um romance mais profundo e rico, não é uma boa pedida. Se quiser conhecer o mundo gótico-romântico de Charlie e se interessa pelo tema, recomendo.