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9 de jun. de 2012

Caçadores de "modas"



Todos nós temos gostos pessoais e muitos desses gostos nos definem, sejam fisicamente ou intelectualmente. Sim, esses tais gostos se refletem em nós seja à primeira vista ou ao abrir a boca para falar algo; e o bacana é que cada ser humano tem o seu, tornando-se autêntico. Mas não é sempre assim que a banda toca.

Dando uma checada pela blogosfera literária, seja nos blogs ou também nas contas de Twitter em geral, nota-se claramente uma busca louca e desenfreada de o que chamamos "moda". Moda, para os matemáticos é aquele valor que aparece com mais frequência em um dado cálculo; ou seja, algo que se repete e que está em todo lugar, não importa para onde você corra. Voltando ao meu ponto, todos estão buscando ler aquilo que está em alta, que aparece em revistas e jornais, que promete algo que ninguém sequer sabe ainda.

E é aí que eu me pergunto: onde está o gosto pessoal? Onde está a autenticidade? É um ponto perigoso este no qual estou entrando, mas é algo que observo não é de hoje e realmente não entendo. Não entendo como muitos passam a venerar livros que nem chegaram a ser publicados ou lidos. Não entendo qual razão tem o fato de todos lerem a mesma coisa e terem as mesmas opiniões, sem debate ou crescimento de ideias. Não, não consigo entender.

Portanto, leitores em geral, blogueiros ou não: procurem ser autênticos. Não sejam meros caçadores de modas. Busquem leituras que os enriqueçam. Fucem, pesquisem, leiam resenhas, corram para sebos se preciso, mas por favor, não leia algo que está em alta simplesmente por está em alta ou que estará em alta daqui a pouco tempo e no final das contas você pagar de "cool". Não estou afirmando que parem de ler as novidades ou algo que está chamando a atenção, porém busquem suas verdadeiras motivações para ler, busquem a essência da curiosidade genuína.

25 de mai. de 2012

Resenha | A Esperança

ATENÇÃO: ESTA RESENHA CONTÉM SPOILERS DOS DOIS PRIMEIROS LIVROS DA SAGA.

É chegada a hora. Antes de sentar em frente ao computador para escrever esta resenha, passei o dia refletindo sobre como poderia escrevê-la. O modo como fiquei ao terminar de ler A Esperança me deixou psicologicamente exausto, e não estou exagerando. Mas, qual o objetivo do livro a não ser nos abrir os olhos, nos influenciar, nos modificar, nos retratar? Não foi uma leitura fácil de ser absorvida. Me incitou, me fez pensar mais que o normal, me perturbou, me emocionou.  É, estou vendo que vai ser difícil expressar com poucos parágrafos como me senti e o quanto sofri com o desfecho de toda a trilogia. Só tenho a agradecer Suzanne Collins pelo prazer que foi conhecer essa história. E lá vamos nós.

Passado todo o drama de novos Jogos Vorazes com os antigos tributos vencedores na arena, incluindo Katniss e Peeta, descobrimos ao final de Em Chamas que enquanto os dois estão lutando novamente para sobreviver, a guerra está tomando forma lá fora. O Distrito 12 não existe mais. Presidente Snow e seus Pacificadores agora estão fazendo do antigo lar de Katniss e Peeta o mais novo "exemplo" a não ser seguido. Não se torne um rebelde. Mas já é tarde demais. O Distrito 13 não está destruído como imaginado, e sim preparando-se para uma guerra contra a Capital, ou melhor, uma guerra contra Snow - e Katniss é o rosto de toda a revolução.

A forma como Suzanne Collins leva a história nos faz perceber o quão profunda e inteligente a trama ainda demonstra ser. Suas camadas vão inicialmente sendo expostas a medida em que os preparativos para a guerra vão sendo relatados. Todo o sentimento de Katniss e sua confusão mental está lá, nos fazendo confusos também. Vivemos isso, sentimos isso. O livro já começa com uma tensão extremamente inquietante, nos fazendo ter mais vontade de passar as páginas e descobrir logo como tudo vai terminar; mas é impossível: Suzanne escreve de um modo capaz de nos prender a cada detalhe, cada palavra, cada vírgula, cada fala, cada gesto. E a simples página passa a ganhar 1 tonelada de peso, dado o quão importante ela é. Aqui vai uma dica: respire bem fundo, e leia com calma (se puder!).

Os acontecimentos do livro trazem analogias e explicações brilhantes. O desfecho é extremamente amarrado, como se a autora já certa de como tudo iria terminar desde o início (essa é uma técnica extremamente difícil para autores contemporâneos) tenha colocado elementos marcantes nos outros dois primeiros livros capazes de serem reconhecidos no terceiro, dando a sensação de ler uma obra exata, concreta, verdadeira, sem contestações. Símbolos, canções, personagens, momentos. Lembranças de um passado presente, em cada futura ação. Minhas palmas para a autora, e palmas para os personagens: mais humanos que muita gente por aí. Sentimos o drama de Katniss, sentimos o sangue no hálito de Snow, sentimos o clima de extremo desespero, a correria, a fome, a dor.

O livro traz em si uma carga de denúncia claramente evidente. O pão-e-circo da Capital, a ditadura ferrenha e cruel de Snow, o ataque aos nossos valores como seres humanos. Nos sentimos humilhados ao ler, como se nos olhássemos em frente ao espelho e disséssemos: erramos, acertamos, não valemos nada como humanos. Genial. No mais, em minha humilde opinião a autora nos deu um banho de sangue ao mesmo tempo que nos deu um excelente final. É claro que torcemos para que aconteçam várias coisas no decorrer da leitura (nós como autores) mas por mais que alguns fatos não tenham sido detalhados ou tenham acontecido rápido demais, fiquei muito satisfeito. Os futuros livros de História de Panem serão empolgantes de serem estudados, podem apostar. Foi uma incrível, intensa, e principalmente emocionante jornada ler a trilogia. Obrigado, srta. Collins.

30 de abr. de 2012

Resenha | Em Chamas

ATENÇÃO: ESTA RESENHA CONTEM SPOILERS DO PRIMEIRO LIVRO DA SAGA.

Finalmente li Em Chamas. Novamente me surpreendi. Não costumo escrever resenhas logo após a leitura do livro, fico amadurecendo toda a história na minha mente e absorvendo o que realmente foi ou não relevante para mim, mas com esse livro nada disso foi preciso ser feito; de tal madura a história já seja. Suzanne Collins sabe dar mesmo um show de surpresas, pois, quem já leu Jogos Vorazes, pois mais que saiba que se trata de um livro distópico e político de certa forma, o tom da história muda, e pra melhor. Como já havia afirmado antes, os livros de Collins são feitos para serem analisados e sofridos. Não é um simples young-adult.

Retomando a história, nesse segundo livro temos Katniss e Peeta como vitoriosos do últimos jogos. Seus problemas com comida passaram e ambos vivem bem melhor, na Vila dos Vitoriosos dos Distrito 12. Mas há um problema: seus atos suicidas no final dos jogos resultaram num espírito de rebelião por toda a Panem, e  o Presidente Snow não está nada feliz com isso. Daí começa todo o desenvolvimento da trama, que passa de uma simples história para uma complexa crítica a todo o sistema em que vivemos.

Assim, somos apresentados a vários novos fatos de rebelião, reviravoltas e muitas, muitas surpresas. Não tem como não se surpreender com tamanha reviravolta na história! A cada página, respirava fundo tal era a tensão das passagens e nelas, muitas novidades. A autora não economiza nas descrições (o que ajudou e muito na visualização das cenas, antes em carência no primeiro livro) e o livro torna-se interessante a cada palavra lida. E aqui vai uma dica: leiam o mais pausadamente possível (se conseguirem!); ao longo da leitura você melhor visualiza as cenas a analisa todo o contexto do momento. É incrível.

Mas, é claro, como nem tudo é perfeito, o início do livro deixa um pouco a desejar. Nunca detestei tanto a Katniss durante a primeira parte do livro! Garotinha chata, hein? Mas graças à Deus nossa querida protagonista foi melhorando ao ponto de amá-la perto do final. Outra coisa que me chamou a atenção foi a maior presença de Gale, que finalmente se destaca,(mesmo que pouco em comparação a outros personagens) sendo protagonista de uma das cenas mais intensas de todo o livro. E sim, Cinna continua firme e forte ao lado de Karniss como seu estilita e grande amigo; e sua participação é per-fei-ta! Emoção pra dar e vender!

E é claro que somos apresentados a novos personagens. E eles não deixam nada a desejar aos que já conhecemos. Anotem esse nome: Finnick. Just saying.

Em resumo, Em Chamas sabe dar um show de surpresas. Por mais que eu ame o primeiro livro da saga, este torna-se superior por ser mais denso, complexo e adulto - e isso me fascina. O bacana é perceber que a história de Katniss cresceu e poderia simplesmente acontecer nos dias de hoje. Por isso é tão importante ler esse livro. Retrata aquilo que pode ser vivido, por isso tamanha a interação e envolvimento com a história. Decidiu ler? Prepare-se, respire bem fundo e que a sorte esteja sempre ao seu lado.

26 de mar. de 2012

Resenha | Jogos Vorazes

Fenômenos literários não são raros. Sim, é o que eu acho. Você deve se lembrar, naturalmente, da história do bruxo que derrotou o lorde das trevas ou até mesmo, do Romeu e Julieta vampiresco; mas claro, ambos são os mais recentes. São considerados fenômenos visto que conseguiram fazer milhões de fãs, tornaram-se best-sellers internacionais e sucessos de bilheteria em suas adaptações para o cinema. Porém há um fator diferencial em obras como essas: poucas deixam um legado. Sim, nem todo fenômeno consegue se eternizar na história um na literatura, deixando de ser apenas uma febre momentânea e nos fazendo pensar por bastante tempo sobre sua mensagem. Ao ler Jogos Vorazes senti que finalmente temos um fenômeno inteligente e capaz de deixar questionamentos, causar debates e ser, quem sabe, eterno.

O livro de Suzanne Collins já vem causando burburinho desde 2008, seu ano de lançamento. Quem acompanha blogs literários nacionais e internacionais já ouviu falar do livro, não há dúvida. Por ser uma obra moderna, atual e original, mesmo com inspirações em outros livros com temas semelhantes, o livro chamou a atenção e logo tornou-se um best-seller. O mundo parou para ler a história de Katniss e seu drama para sobreviver e cuidar de sua mãe e irmã num país distópico e ditatorial. Com tantos elementos no livro de fácil identificação (o show de horrores que são os jogos, o tema da fome a luta pela sobrevivência, a corrupção da mídia, a luta pelos direitos humanos, entre outros) ficou fácil para Jogos Vorazes ser tão aclamado, como um novo fôlego de mudança e esperança para os dias de hoje.

É difícil escrever sobre um livro que você gostou tanto. Não tenho palavras para descrever o prazer que foi ler Jogos Vorazes. Todo o mundo criado pela autora é de fácil identificação e até imaginamos que tais coisas podem mesmo acontecer nos nossos dias. As críticas impostas no livro vem em boa hora, já que vivemos um tempo onde sorrimos vendo a desgraça alheia e nos atamos a futilidades e ao consumo impensado. Creio que o tema dá um bom tempo de debate, e isso que é o bacana dos livros: o modo como eles interferem na vida real. Mas peraí, eles são reais. 

Falando de forma, a escrita de Suzanne é direta e, de certo modo, simples, porém entendo seus motivos. Ela tem a ousadia de querer chocar, de modo que encaremos os acontecimentos na história como um susto e ao mesmo tempo envolvente. Suas pitadas de romance são bem vindas, aliviando a leitura em certos pontos, o que achei muito bacana. A história e seus valores contidos mexeram muito com os meus sentimentos, antes adormecidos; há muito tempo não me apaixonava tanto por um livro, por uma história, por uma personagem. Conheci Katniss e esse encontro foi intenso e inesquecível. Convoco à todos que leiam esse livro e que olhem para a história e captem toda a crítica, toda a mensagem implícita e explícita. 

P.S.: Estou mais do que ansioso para ler Em Chamas. não consigo pensar em outra coisa!

24 de jun. de 2011

Cenas fan-made de Jogos Vorazes

Falando em Jogos Vorazes uma coisa é certa, o livro é um sucesso e o filme é um dos mais esperados de 2012; mas enquanto isso que tal ver algumas cenas do livro feitas por fãs? Bem,  apresento a vocês uma produção de muito bom gosto feito pela equipe Mainstray Productions que é super fã da trilogia e resolveram fazer a sua adaptação e postar no YouTube. Eu ainda não li o livro, mas a vontade aumenta a cada elogio... assistam e comentem se gostaram!