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22 de jan. de 2012

Leitores sobrecarregados!

Com o meu retorno pro blog, a volta da rotina de blogueiro e bookaholic compulsivo, percebi o quanto eu estava desatualizado. Livros que esperava ansiosamente já se encontram à venda, outros que nem no Brasil esperava ver tão cedo já foram anunciados e a minha pilha de leitura está lotada. Entrei em desespero. É muita informação para um cérebro só. Respirei e comecei a visitar os blogs que eu curto para me atualizar (como Garota It, Livros e Bolinhos, por exemplo) e reparei na quantidade de lançamentos: muitos títulos em um só mês. É de enlouquecer qualquer bookaholic!
Vejo muitos blogueiros (e leitores, claro) sempre falando do sobrecarga de livros que tem para ler, deixando muitos deles estressados e até com uma pontinha de desespero, afinal todos querem estar pro dentro das novidades, participando de clubes do livro com a história e todos os detalhes na ponta da língua, etc. No entanto o tempo não deixa, afinal, são muitos livros para ler em um curto espaço de tempo. Mas, é realmente necessário? Precisamos mesmo estar atados ao que é tendência de leitura do momento? Por exemplo: Fallen, um hit da Galera Record da Lauren Kate virou febre aqui no Brasil em 2010 e creio que praticamente todos os blogueiros já leram e resenharam. Todos, menos eu. E olha que eu tenho o livro aqui na minha estante desde dezembro de 2010. O fato é que eu ainda não tive aquele interesse forte de leitura nele, e acabo sempre adiando a leitura e coloco alguma obra de maior interesse na frente. Não que ele seja ruim, pelo contrário, foi muito elogiado, mas essas coisas acontecem.

Daí vem o julgamento pessoal de cada um. Escolher o que ler é algo pessoal e varia de pessoa pra pessoa. Nós, blogueiros, só apresentamos as oportunidades, ou até seguimos  alguns caminhos (leituras diversas) e mostramos se a viagem foi boa ou não (nas resenhas). Cabe ao leitor em geral perceber se quer ler algo que goste ou algo para ser aceito em um determinado grupo social. Desencanei. Lerei o que tenho compromisso em resenhar e também aquilo que realmente gosto. Pode perceber, que fazendo isso, a pilha de livros e o peso na consciência diminuem bastante. 

14 de set. de 2011

Livros substituem... tablets!

Todos nós já percebemos que os meios de leitura estão mais modernos. Os tablets estão aí para tomar o lugar dos livros e pouco a pouco mais procurados. As facilidades que as novas tecnologias nos proporcionam são impressionantes (desde a capacidade de armazenamento a mobilidade) e os preços tendem a baixar facilitando o acesso. Porém, há os conservadores do bom e velho hábito de pegar num livro, folheá-lo, sentir sua textura; diferente do que acontece com as obras lidas num Kindle, por exemplo. No momento eu sou um desses conservadores, mas posso mudar de ideia um dia, quem sabe.

Pensando nisso, resolvi compartilhar com vocês um vídeo que ironiza os tablets e a sua "tecnologia" imposta a uma sociedade meramente consumista e carente de novidades positivas. Com vocês: o LIVRO.

                           

23 de jun. de 2011

Literatura: questão de juízos de valor?

Desde o meu início de estudos na universidade, sempre me deparei com o enorme preconceito que os professores universitários tem com os livros de maior sucesso, conhecidos como best-sellers. Sou aluno de Letras e nunca me conformei com tal fato - já que sou um enorme defensor de leitura YA (young-adult) e séries de sucesso comercial que, para mim, a grande maioria são boas - porém creio que meu sentimento revolucionário fale mais alto em alguns momentos e eu meio que exagere na defesa. Mas, lendo um texto de Terry Elagleton, Literary Theory (1983) me deparei com um ponto de vista acadêmico que concilia bem as dias vertentes literárias: a erudita e a de massa. Existe realmente um certo e outro errado?


Antes de comentar Terry, queria mostrar um aspecto que o escritor e intelectual brasileiro Antonio Candido abordou em um de seus textos "O Direito à Literatura". No texto, o autor associa a literatura a um bem incompreensível, fator indispensável de humanização das pessoas, sendo assim um direito humano. Afirma que todos tem o direito ao acesso a todo tipo de obra (seja erudita ou de massas) a fim de ser papel formador de personalidade e desenvolvimento de conhecimento. Mas, e a literatura nisso? Ela chama a literatura, mesmo que de maneira ampla, de "todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade [...] Manifestação universal de todos os homens em todos os tempos." Mesmo defendendo e colocando a literatura erudita acima das demais, Candido dia que tudo é válido já que estamos adquirindo conhecimento e sendo formadores de opinião. Com Terry é diferente, já que o mesmo procura definir a literatura de vários modos sendo que não é possível uma real definição capaz de abranger todo tipo de manifestação literária, seja clássica ou até publicitária. O autor fala que para ser literatura, a leitura deve causar certa "estranheza" ao leitor, saindo da leitura automatizada para uma leitura mais intensa e íntima. Um exemplo é quando vamos ao cinema e alguém fala "Olá, noiva imaculada de quietude" ao invés de um simples "Oi, como vai?". Então só seria literatura algo com uma linguagem rebuscada? O estranhamento de Terry vem juntamente com os juízos de valor ao longo dos tempos. O que para mim não é literatura, pode ser para qualquer outro. Se, hipoteticamente, Shakespeare deixar de ser  considerada literatura e virar uma obra desclassificada não seria preconceito de alguém em algum momento da história já que hoje, no âmbito atual, veneramos tal autor?


Agora, pensando nos dias de hoje, não seria estranho estudar J.K. Rowling numa sala de universidade? Mas, e daqui a 50, 80 anos? A saga best-seller de Harry Potter poderia ser considerada uma literatura erudita até? Isso o tempo dirá. O fato é que os juízos de valor estão presentes e são variáveis através das ideologias sociais. O gosto particular de cada um formará pensamentos distintos, ideologias distintas e ramos diferentes de aprendizado -  o fato é que o preconceito de nada ajuda e sim, atrapalha.